Usina em Santa Catarina está 80% concluída e terá capacidade instalada de 142 MW; empresa pretende vender o empreendimento e permanecer responsável pela construção.
A Nova Engevix está em negociações com investidores para vender a Usina Hidrelétrica São Roque, em Santa Catarina, cuja conclusão ainda exige investimentos estimados em R$ 360 milhões. O empreendimento está 80% concluído e possui previsão de entrega de energia a partir de 2025.
A companhia retomou a comercialização da produção futura da hidrelétrica após negociar contratos no leilão de energia A-6, realizado pelo governo federal.
Segundo Filipe Koefender, diretor de Novos Negócios da Nova Participações, controladora da Nova Engevix, as negociações com potenciais investidores estão avançadas.
“Estamos buscando parceiros, em negociações bastante avançadas com futuros investidores para terminar o projeto. Ele está 80% concluído. Como é para entrega em 2025, temos aí um tempo bom para terminar a construção”, afirmou o executivo à Reuters.
Hidrelétrica São Roque precisa de R$ 360 milhões para concluir as obras
A Usina Hidrelétrica São Roque foi licitada originalmente em 2011, quando sua concessão foi arrematada pela então Engevix.
As obras foram paralisadas após a empresa ser alvo de acusações relacionadas à Operação Lava Jato, que investigou um esquema de corrupção envolvendo empreiteiras, empresas estatais e agentes políticos no Brasil.
Com a suspensão da construção, a companhia conseguiu negociar o cancelamento dos contratos anteriores de venda de energia, evitando a aplicação de multas.
Após um processo de reestruturação e mudança de nome, a Nova Engevix inscreveu novamente o projeto no leilão A-6 e firmou contratos com início de fornecimento previsto para 2025.
A estimativa é que sejam necessários aproximadamente R$ 360 milhões para finalizar a construção da hidrelétrica.
O objetivo da Nova Engevix é vender o empreendimento a um novo investidor e permanecer responsável pela execução das obras, na condição de empresa contratada.
“Estamos abertos a várias estratégias comerciais. Eu espero sinceramente que terminemos as negociações ainda neste ano”, afirmou Koefender.
BNDES e BRDE já desembolsaram R$ 400 milhões para o projeto
As negociações para a venda da hidrelétrica também devem envolver o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE).
As duas instituições já desembolsaram aproximadamente R$ 400 milhões em recursos para o empreendimento.
Segundo Koefender, o futuro comprador precisará negociar com os bancos as condições de financiamento e as garantias relacionadas ao projeto.
A comercializadora de energia Focus chegou a negociar a aquisição da hidrelétrica São Roque antes do leilão A-6, mas as tratativas não resultaram em acordo.
Duas fontes com conhecimento do assunto informaram à Reuters que houve dificuldades nas negociações relacionadas à dívida do empreendimento.
A Nova Engevix não comentou quais empresas estão interessadas na aquisição da usina.
Usina São Roque terá capacidade instalada de 142 MW
Quando concluída, a Usina Hidrelétrica São Roque terá aproximadamente 142 megawatts (MW) de capacidade instalada.
No leilão A-6, o empreendimento negociou contratos de fornecimento de energia com duração de 30 anos, a partir de 2025.
Segundo a Nova Engevix, os contratos de longo prazo devem contribuir para atrair investidores e viabilizar o financiamento necessário à retomada das obras.
“É um contrato longo, com bom preço, ajuda a alavancar financiamentos. Será muito bom para ajudar a retomar as obras”, afirmou Koefender.
A hidrelétrica comercializou no leilão um volume correspondente a 60 MW médios, de um total informado de 91,3 MW médios.
A parcela restante poderá ser negociada por meio de novos contratos no mercado livre de energia elétrica.
Nova Engevix busca novos contratos após reestruturação
Paralelamente às negociações para retomar a construção da hidrelétrica São Roque, a Nova Engevix passa por um processo de reestruturação e busca ampliar sua carteira de contratos.
Segundo Koefender, a companhia ainda enfrenta os efeitos das investigações da Operação Lava Jato, mas mantém suas equipes e procura novas oportunidades no mercado de engenharia.
“Isso vai durar ainda uns dois anos, em que a gente continuará ‘pagando’ esses legados. Mas, por outro lado, mantivemos equipe e estamos buscando novos contratos. Desde a Lava Jato assinamos 40 contratos”, afirmou.
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A Nova Participações pertence a José Antunes Sobrinho, um dos proprietários da antiga Engevix, que adquiriu a participação dos ex-sócios após a Lava Jato. A empresa foi renomeada em 2016.
O executivo também destaca a adoção de uma nova política de compliance, que, segundo ele, busca fortalecer os mecanismos de integridade e prevenir irregularidades.
Empresa desenvolve projetos solares e pequenas hidrelétricas
Além da hidrelétrica São Roque, a Nova Engevix investe no desenvolvimento de projetos de geração de energia renovável.
Entre as iniciativas estão instalações solares destinadas a aeroportos e um complexo de geração fotovoltaica em Sergipe, com capacidade prevista de 1,2 gigawatt (GW).
Segundo Koefender, o projeto em Sergipe foi desenvolvido integralmente pela empresa e está sendo apresentado ao mercado para venda.
A Nova Engevix também estabeleceu um acordo com o BTG Pactual para assessoramento na negociação do empreendimento.
A companhia atua ainda no desenvolvimento de projetos de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e centrais geradoras hidrelétricas (CGHs), ampliando sua presença no segmento de geração de energia.
Fonte: Reuters, publicada pelo UOL em 29 de outubro de 2019.


