O momento da expansão das redes de gás natural e os métodos não destrutivos

É um momento interessante para o mercado de MND, principalmente para o método HDD. A maior distribuidora de gás do país, a COMGÁS, coloca na rua um plano audacioso de ampliação de suas redes. Inicialmente, um projeto gigantesco para construção de um Porto Marítimo no estuário de Santos. Lá atracarão distante do congestionamento de Santos, seus navios com a carga de gás natural trazidos das áreas de produção. Dali por tubulações subaquáticas, esse gás chegará ao continente e do continente se interligará com as redes da empresa para a distribuição nas dezenas de cidades atendidas pela concessionária. Nessa distribuição mais 6.000 km de redes serão acrescentados aos mais de 17.000 km já existentes.

TUDO POR HDD, ou furo direcional, o que faz da concessionária a maior contratante desse método no país, e olhe lá se não estiver entre as maiores das Américas (logico me refiro a uma comparação  direta somente com os EEUU, portanto, em segundo lugar entre países ela já está).

Serão mais de 23 mil km, ou melhor, vamos falar de metros, 23 milhões de metros lineares. Por que em metros? Porque o acidente que atinge uma rede de gás, acontece em alguns metros. E o que isso tem a haver com o MND e o HDD? Simples, o HDD nesse nível de aplicação (afora as redes do porto marítimo), são incluídas na classificação de MINI HDD, ou seja, segundo a TR 46 do PPI (Plastic Pipe Institute) que a redigiu, e que recebeu da ASTM uma direta correlação;

 Já qu a ASTM 1962 trata do MAXI HDD (o que será utilizado nas instalações das redes do Porto Marítimo), e lá para diâmetros de 300 mm ou menos, e 180 m de extensão ou menos, já não se exige muita coisa em termos de projetos e cálculos. Mas o artigo que tem o caráter de MELHORES PRÁTICAS diz: Se tratar de uma tecnologia menos sofisticada, pois é a dimensão do método reduz a sofisticação e a engenharia? Afinal, a perfuração direcional segue uma só orientação, assim, um cateterismo cardiovascular seria menos sofisticado do que uma cirurgia cardíaca? Com segurança sim, mas você se tiver que ser submetido qualquer das duas vai querer um estudo e uma equipe preparadíssima.

Pior, a todo instante ao longo das 78 páginas que compõem o trabalho, o PPI adverte que, O HDD nem sempre segue o traçado proposto, e por diversas razões (que quiser conhece-lo estarei disponibilizando em breve no meu site, a tradução, ou podem baixar na INTERNET a versão em Inglês) com expressões como:

  • O proprietário da rede deve ampliar as restrições no desvio permitido do traçado…
  • As condições do solo e de outras redes levam a desvios não intencionais da rota traçada…
  • Os desvios (não intencionais) devem ser informados no As Builts…
  • Após o furo alargado, é possível que a rota já não seja mais a mesma…
  • Os desvios que excederem 150 mm verticalmente e 300 mm horizontalmente devem ser informados.

Portanto, não será de se espantar que entre os já existentes 17 mil km e os 6 mil km que serão adicionados, que os poderes concedentes recebam informações que não condizem com a realidade da instalação, e assim, apoiando-se no que foi liberado poderá autorizar uma outra instalação exatamente sobre a que foi desviada.

Para isso, o mercado disponibiliza um DATA LOGGER, que é passado na rede que acaba de ser instalada pelo perfurador, e que registra o verdadeiro AS BUILT, georreferenciado, on line, e feito por uma empresa  gerenciadora, ou seja, a empreiteira de perfuração deixa de ser a “juíza” de si mesmo, pois não é de se estranhar que ela possa entregar um AS BUILT diferente do que foi instalado, AS BUILTs esses, muitas vezes entregues depois de dias da instalação, e que devem ser repassados para os arquivos georeferenciados das concessionárias de redes, acumulando além das diferença de campo, outros possíveis erros de lançamentos. A sequência de leituras pelo DATA LOGGER dá boa ideia dessas ocorrências:


Fig. 1 Este é o resultado de uma leitura de uma instalação de rede de Gás

Mesmo quando se tem um As Built Georeferenciado, a confrontação com a leitura direta na rede mostra as diferenças reais que ocorrem e todo o perigo que essa instalação representa numa futura intervenção no subsolo na região. Não é dificil que ocorra um verdadeiro Zig Zag numa instalação por HDD como diz o documento da PPI, e o que pode estar instalado no subsolo é algo parecido com o que se vê nas fotos abaixo


O poder concedente pode ter liberado a instalação, por exemplo no terço adjacente da via urbana e posteriormente entendendo pelo As Built que a rede lá se encontra, autoriza outra concessionária, por exemplo a de esgotos, a instalar uma nova rede no centro da via urbana.

Como está se instalando numerosos dutos simultaneamente por HDD para o setor de Telecomunicações, é com segurança um desafio à boa separação e convivencia no subsolo, se não tivermos AS BUILTs confiáveis. Essa relação entre concessionárias irá muito além da modesta providencia da decada inicial deste século, quando a PM de São Paulo, a COMGÁS, a antiga TELESP e a SABESP fizeram o GRUPO DE PREVENÇÃO DE DANOS. Nos países mais avançados, essas concessionárias são acionistas de empresas sem fins lucrativos, coordenadoras das instalações subterrâneas. O CONVIAS ,num esforço enorme, tentou. Não deu. Me lembro que na mesma época a Companhia do Metropolitano de São Paulo contratou junta a uma tradicional projetista o projeto de identificação de tudo que havia sobre 5 km de tuneis da concessionária. Custou alguns milhões, para 5 km.

Aqui a concessionária de gás colocou a tacha de marcação num ponto seguindo a orientação do AS BUILT; a rede na realidade estava em outro ponto.

Nos EEUU, a CGA Common Ground Alliance que trata da convivencia de todos os concessionários do subsolo norte americano (uma versão mais sofisticada do GRUPO DE PREVENÇÃO DE DANOS), indicou mais de 400 mil acidentes com redes subterrâneas; é assustador, o que se pode esperar para 2019?

Assim, é o momento exato pois estamos elaborando a primeira Norma Brasileira de MND, e exatamente para o MINI HDD, e não me parece que estamos convencidos dos perigos que estamos potencializando nos subsolos das cidades onde a expansão de redes de gás é exponencial.

É hora da concessionária saber exatamente onde estão suas redes, e manter o poder concedente avisado e bem informado.

Aqui vão algumas perguntas:

  1. O As Built que você recebe pode ter um UPLOAD feito direto do Campo?
    1. Normalmente, não. Portanto, um data Logger resolve esse problema.
  2. O As Built que a concessionária de gás recebe é padronizado?
    1. Dificilmente, cada empreiteira de perfuração tem seus padrões e recursos, portanto, com data Logger, a informação provida por terceiros passaria a ser padronizada, e redes já existentes podem passar por uma revisão.
  3. E a entrega é imediata?
    1. Geralmente não, só depois de alguns dias (dias mesmo?). Com o data Logger a instalação é recebida pelo gestor da concessionária assim que termina a instalação por HDD.
  4. E a responsabilidade de quem é?
    1. No caso do data Logger é de uma gerenciadora contratada pela concessionária de gás, cujo resultado se dá antes mesmo de que a rede seja soldada nos Tie Ins. Se não estiver dentro dos limites, ainda há tempo para providencias ou avaliações.

Para quem quiser assistir um vídeo desse dispositivo, sugiro acessar o link abaixo da REDUCT e facilmente entenderá como é possível entregar 3 km por dia de As Builts.

https://youtu.be/Yzxi7sAMZ68

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