O trabalho da Engenharia pelo crescimento sustentável

Os setores de Engenharia e Construção no Brasil vivem um momento há muito esperado. Para muitos analistas, há pelo menos 25 anos não se experimentava tamanho crescimento no volume de negócios, elevação das taxas de emprego, expansão da tecnologia e produção recorde de matérias-primas, equipamentos e insumos para o setor. Foi nesse clima de celebração que a revista O Empreiteiro promoveu, no dia 12 de agosto, no Clube Atlético Monte Líbano, em São Paulo, a cerimônia de diplomação das empresas do setor que mais se destacaram ao longo de 2007. Cerca de 700 convidados, entre empresários, representantes de entidades de classe, líderes setoriais, fabricantes de equipamentos e personalidades de expressão nacional no âmbito da Engenharia e Construção, participaram do lançamento da edição 2008 das 500 Grandes da Construção, com a divulgação do Ranking da Engenharia Brasileira.

Figuram no ranking as maiores construtoras, projetistas, empresas de montagem industrial e prestadoras de serviços especiais de engenharia, cujos desempenhos acompanharam e realimentaram o atual ciclo de desenvolvimento do Brasil. Dividido em quatro segmentos – Construção; Projeto, Consultoria e Gerenciamento; Montagem Industrial; e Serviços Especiais de Engenharia –, o ranking foi elaborado a partir de pesquisa anual exclusiva da revista O Empreiteiro, para colher os resultados operacionais das empresas em 2007. Ele lista as empresas por ordem decrescente de faturamento bruto, comprovado em balanço publicado de janeiro a dezembro de 2007.

Nesta edição, a pesquisa revelou um crescimento de 19,24% sobre a receita bruta conjunta registrada em 2006, puxado pela locomotiva dos investimentos privados em setores como Petróleo, Petroquímica, Mineração, Siderurgia, Papel e Celulose, Agronegócios – e mais recentemente, Biocombustíveis, seguido pelos programas de obras de alguns Estados, projetos de concessionários privados em setores como ferrovias e rodovias. O decantado PAC do governo federal ainda não produziu efeitos visíveis para as empresas de Engenharia e Construção.

Para o Ranking da Construção Imobiliária, a revista O Empreiteiro realizou pesquisa própria nas principais praças, classificando as construtoras e incorporadoras pelo total de metragem construída lançada em 2007, e metragem construída entregue no mesmo ano.
Os resultados das pesquisas estão na 38ª edição da publicação “500 Grandes da Construção”.

As melhores do ano

As empresas que receberam destaque na solenidade, representando todas as empresas que integram o ranking, são:

No segmento das Construtoras: Construtora Norberto Odebrecht S.A., líder do ranking; Construções e Comércio Camargo Corrêa S.A.; WTorre Engenharia e Construção S.A.; Engepar Engenharia; Pedrasul Construtora S.A.; Hochtief do Brasil S.A.; Carioca Christiani Nielsen Engenharia S.A.; e Encomind.

Entre as Projetistas, Empresas de Consultoria e Gerenciamento foram diplomadas: Engevix Engenharia S.A, colocada em 1º lugar; CNEC Engenharia S.A.; Progen Projetos, Gerenciamento e Engenharia Ltda.; Intertechne Consultores S.A.; Maia Melo Engenharia Ltda.; e Minerconsult Engenharia S.A.

No segmento de Montagem Mecânica e Elétrica Industrial foram destacadas: UTC Engenharia S.A., líder do ranking setorial; MPE Montagens; Teckma Engenharia Ltda.; Enesa Engenharia S.A.; Daltec Construções e Montagens Industriais Ltda.; e MCE Engenharia Ltda.

E entre as empresas de Serviços Especiais de Engenharia: Medabil Sistemas Construtivos, que lidera o ranking; Fast Engenharia e Montagens S.A.; SCAC Fundações e Estruturas Ltda.; Tecnosonda S.A.;

Responsabilidade social e ambiental

A revista O Empreiteiro aproveitou a ocasião para prestar o devido reconhecimento às empresas que, além da importante contribuição que prestam ao País, na realização dos seus trabalhos, desenvolveram programas de interesse comunitário, com ações voltadas para a preservação do meio ambiente e inclusão social.

Este ano foram homenageadas a Construtora Sucesso, a ICEC e Instituto Votorantim (ver matéria nessa edição).

Também foram homenageadas três personalidades reconhecidas como Pioneiros da Engenharia Brasileira, a partir das suas trajetórias profissionais. São eles o engenheiro Bruno Contarini, o engenheiro e líder empresarial Maurício Roscoe, e o engenheiro Murillo Mendes.

Momento de reflexão

A maior festa da Engenharia brasileira foi também uma oportunidade para reflexão sobre o momento político e econômico que o País e o setor atravessam.

Joseph Young, diretor Editorial da O Empreiteiro, lembrou o “longo e penoso caminho percorrido a partir da década de 1980 para se chegar ao Plano Real, à estabilização da economia, às privatizações das telecomunicações e, finalmente, às concessões da geração elétrica, rodovias e ferrovias”, que tanto contribuíram para tirar o setor de infra-estrutura do marasmo em que vivia, devolvendo-lhe o papel de destaque no cenário da economia nacional. Para Joseph, avançar mais exige a definição de bases sólidas para um crescimento sustentável.

“Estamos no limiar de uma etapa da vida brasileira em que uma indecisão pode comprometer as possibilidades do crescimento sustentável do País. “As lições do passando recente – o êxito da privatização e das concessões na área da infra-estrutura, bem como a consolidação de novas fronteiras econômicas ancoradas nas atividades de mineração, siderurgia, petroquímica e nos segmentos de papel e celulose, agronegócios e biocombustíveis, entre outros – estão a reclamar uma proposta articulada do governo, para que o crescimento do País se sustente nas próximas décadas. E isso só ocorrerá com a estruturação de uma política de longo prazo, que não venha a se exaurir ao final de uma administração, mas tenha continuidade em todos os governos que venham a se suceder, independentemente das colorações políticas de cada um. A sociedade precisa se mobilizar nessa direção”, conclamou.

Em pronunciamento ao final da cerimônia, Luiz Fernando dos Santos Reis, presidente do Sindicato Nacional da Construção Pesada (Sinicon), elogiou a iniciativa da revista O Empreiteiro que, em sua opinião, se consolida a cada ano com importante fórum de discussão dos anseios e conquistas do setor.

Concordando com o que disse Joseph Young, ele acrescentou que as conquistas alcançadas pelos setores da Construção e Engenharia no Brasil se devem muito mais às articulações da iniciativa privada do que a um projeto de desenvolvimento do governo.

Luiz Fernando recomendou moderação no otimismo, ao afirmar que a intenç&atilde
;o anunciada de investimento em infra-estrutura não tem sido acompanhada do respectivo gasto. Lembrou que, nos cinco primeiros meses de 2008, o governoempenhou apenas 27,8% dos R$ 15,77 bilhões previstos para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O percentual representa a quantia de R$ 4,39 bilhões.

O líder setorial criticou o governo pela falta do que chamou de “um banco de projetos” e de uma equipe técnica no Governo capaz de gerir os projetos elencados no PAC. Luiz Fernando Santos Reis queixou-se ainda da ausência de regras claras para a regulamentação da participação da iniciativa privada em projetos de infra-estrutura, da indefinição do papel de agências reguladoras e da falta de arcabouços legais para a implementação das Parcerias Público-Privadas (PPPs).

Fonte: Estadão

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