Outro ataque ao trem-bala

Outro ataque ao trem-bala, desta vez deflagrado pelo professor Roberto Macedo, na coluna que ele mantém, toda quinta-feira, no jornal O Estado de S. Paulo. O artigo foi publicado dia 17 último.

Já havíamos, em ocasiões diferentes, mostrado que essa obra não se justifica, econômica e socialmente, nas condições da atual realidade brasileira. Sob uma ótica menos rigorosa, até que ele seria interessante, para a interligação Rio-Campinas, passando por São Paulo.

No fundo, o projeto começou a ser desfigurado na origem. Diversos municípios do Vale do Paraíba vinham se manifestando favoravelmente à parada do trem-bala em uma, duas ou três estações da região. De parada em parada, ele acabaria se convertendo num trem de baixa velocidade, mergulhando na pasmaceira de uma linha ferroviária comum, embora a custo estratosférico.

Ocorre que o Brasil tem mil e uma prioridades maiores, antes de se inclinar para obra desse tipo. E argumentávamos: "Por que não utilizar os recursos que deverão ser disponibilizados para fazer esse empreendimento, em obras que reconhecidamente são mais urgentes? Por exemplo: reconstruir as cidades destruídas na região serrana do Rio e em outras regiões brasileiras pelas tragédias ocasionadas pelas mudanças climáticas. O dinheiro alimentaria esperanças de populações sacrificadas pelas enchentes, inundações e desmoronamentos."

Ontem, o professor Roberto Macedo aludiu a um argumento também demolidor. Vejamos o que ele escreveu: "Supondo que o custo do TAV alcançasse perto de R$ 40 bilhões, isso daria para fazer 100 km de metrôs nessas cidades (Rio ou São Paulo), a um custo estimado para São Paulo. Contudo, o governo federal, com os muito maiores recursos de que dispõe relativamente a esses outros entes federativos, deixa-os à míngua nessa área, e quer porque quer levar adiante esse TAV baseado em benefícios no plano das miragens."

Trem de alta velocidade, com ligação ponta a ponta, requer demanda de usuários para não ficar no vermelho. Ficando no vermelho, vai precisar de subsídios. E, quando chegar a isso, já sabemos quem será convocado compulsoriamente para pagar a conta.

Fonte: Estadão

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