Em meio à crise financeira internacional, governo ampliou em R$ 142,1 bilhões a carteira prevista até 2010 e reforçou investimentos em logística, energia e infraestrutura urbana.
Em um período marcado pelos impactos da crise financeira internacional, o governo federal anunciou a ampliação dos investimentos previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), uma das principais iniciativas de infraestrutura do Brasil naquele período.
A carteira programada para o período entre 2007 e 2010 passou de R$ 503,9 bilhões para R$ 646 bilhões, após a incorporação de mais R$ 142,1 bilhões em investimentos.
Considerando também os projetos previstos para depois de 2010, o volume anunciado pelo governo chegava a R$ 1,148 trilhão.
Os valores representam as previsões divulgadas naquele momento e não correspondem necessariamente aos investimentos que posteriormente foram efetivamente executados.
PAC ganhou mais R$ 142,1 bilhões até 2010
O acréscimo anunciado pelo governo estava distribuído entre três grandes áreas da infraestrutura brasileira.
Dos R$ 142,1 bilhões adicionais, estavam previstos:
- R$ 37,1 bilhões para logística;
- R$ 20,2 bilhões para energia;
- R$ 84,2 bilhões para infraestrutura social e urbana.
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Os recursos não seriam provenientes exclusivamente do Orçamento da União. A programação também considerava outras fontes, incluindo investimentos realizados por empresas estatais.
Com a revisão, o volume previsto para o PAC entre 2007 e 2010 aumentava aproximadamente 28%, passando de R$ 503,9 bilhões para R$ 646 bilhões.
Investimentos após 2010 também foram ampliados
A revisão foi ainda maior para os projetos programados para o período posterior a 2010.
A carteira prevista passou de R$ 189,2 bilhões para R$ 502,2 bilhões, uma ampliação de R$ 313 bilhões.
Desse montante, a maior parcela estava concentrada no setor energético:
Energia: R$ 464 bilhões
Logística: R$ 36,2 bilhões
Infraestrutura social e urbana: R$ 2 bilhões
Somando os investimentos previstos até 2010 e aqueles programados para os anos posteriores, o PAC alcançava R$ 1,148 trilhão em investimentos anunciados.
Infraestrutura foi utilizada como instrumento diante da crise
A ampliação ocorreu em um contexto econômico particularmente importante.
A crise financeira internacional havia aumentado as incertezas sobre o crescimento da economia, mas a estratégia apresentada pelo governo brasileiro era preservar e ampliar os investimentos em infraestrutura.
Documento divulgado na ocasião afirmava que o país poderia manter seu ciclo de crescimento, ainda que com alguma desaceleração.
Entre as medidas consideradas necessárias estavam a manutenção do PAC sem cortes, a ampliação dos investimentos em infraestrutura, a disponibilidade de crédito de longo prazo e o fortalecimento das parcerias com empresas privadas, estados e municípios.
O governo também defendia maior acompanhamento dos projetos para tentar antecipar obras e preservar o ritmo dos investimentos.
Energia concentrava maior volume no horizonte de longo prazo
A distribuição dos recursos mostrava diferenças importantes entre os dois horizontes do programa.
Até 2010, a maior parcela dos recursos adicionais — R$ 84,2 bilhões — estava direcionada à infraestrutura social e urbana.
Para o período posterior a 2010, entretanto, a energia assumia amplo protagonismo, com R$ 464 bilhões dos R$ 502,2 bilhões previstos.
A composição refletia a dimensão dos projetos energéticos que integravam a carteira de investimentos daquele período.
Logística também permanecia como uma das frentes estratégicas, envolvendo a expansão e modernização da infraestrutura necessária ao transporte de pessoas e cargas.
PAC marcou um ciclo da infraestrutura brasileira
Lançado em 2007, o Programa de Aceleração do Crescimento reuniu uma extensa carteira de investimentos públicos, estatais e privados relacionados à infraestrutura brasileira.
Rodovias, ferrovias, portos, energia e intervenções urbanas passaram a integrar um mesmo programa nacional de investimentos.
A revisão registrada naquele período é particularmente relevante porque ocorreu durante a crise financeira internacional, quando o governo optou por utilizar os investimentos em infraestrutura como um dos instrumentos para sustentar a atividade econômica.
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A carteira de R$ 1,148 trilhão anunciada naquele momento ajuda, portanto, a dimensionar a escala das ambições de infraestrutura do país naquele ciclo.
Para avaliar o legado do programa, entretanto, é necessário distinguir os valores originalmente previstos daqueles efetivamente contratados, desembolsados e transformados em obras concluídas.




