Planejamento a longo prazo e obras definitivas

O declínio previsível da velha política, praticada a base de conchavos em bastidores e troca de favores, ignorando a opinião pública, na maioria das vezes, deve abrir espaço para uma nova geração de gestores públicos que venham a se valer de ferramentas de administração que tiveram sucesso na iniciativa privada.

O alucinante ciclo de quatro ou oito anos — para suprir as carências de uma metrópole, Estado ou país, precisa ser substituído por planejamento que se estenda por décadas. Vamos nos limitar ao cenário de uma cidade, como exemplo, numa escala mais perceptível ao cidadão comum.
O transporte de massa necessariamente precisa ser basear no metrô e trens metropolitanos, com programas de obras que recuperem seu atraso de décadas. Numa data futura e não tão longínqua este modal precisa superar o transporte por ônibus nas regiões metropolitanas — mesmo que este ganhe melhorias como BRT e veículos híbridos e elétricos. A prefeitura e o Estado não têm recursos para tanto? Vamos conceder as linhas a operadoras privadas.
As enchentes de verão e os deslizamentos de encostas instáveis somente serão vencidos por estudos de engenharia que indiquem obras definitivas para superar esses fenômenos. Cidades que sofrem com enchentes recorrentes em vários países têm recorrido à escavação de túneis profundos de grande diâmetro, para estocar o excesso d’água, que é liberado aos poucos. O exemplo mais antigo talvez seja Chicago, nos Estados Unidos.As áreas de risco do ponto de vista geológico podem ser mapeadas por drones que produzem fotos georefereciados, servindo- se de base de estudos de campo para os projetos e as obras de estabilização. Em ambas as áreas, há empresas de engenharia competentes para articular os programas de curto e médio prazos, dimensionando as obras definitivas. É o fim de medidas paliativas como as placas que indicam os locais de enchentes em São Paulo.
Segurança hídrica é outro ponto nevrálgico das cidades brasileiras, visando garantir o abastecimento d’água. Mais uma vez, o estado e as prefeituras precisam contratar empresas de engenharia para projetar as obras de médio e longo prazo. Há de se incentivar sistematicamente o reúso d’água — ainda a solução mais sensata — inspirando-se no exemplo de Cingapura, a cidade-Estado onde 30% da água consumida é de efluente reciclado e esterilizado.
Enfim, soluções definitivas existem e estão na prateleira. A gestão pública precisa planejar a longo prazo — e não apenas em vencer a próxima eleição, daqui a quatro anos. As despesas de custeio da máquina administrativa precisam ser reduzidas, substituindo o aumento puro e simples dos quadros de funcionários pela implantação de sistemas de tecnologia de informação. Os programas de investimentos precisam receber mais recursos.
A velha política está na berlinda. Os protestos vão voltar às ruas a partir de março; a população cansou de esperar.

Fonte: Revista O Empreiteiro

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