Pólos industriais valorizam vocações regionais

A atração de melhores investimentos para crescimento econômico de seus Estados, contribuindo para o desenvolvimento regional com a oferta de emprego e renda e a introdução de novas tecnologias, especializações e padrões de desempenho técnico e empresarial. Essa tem sido o conjunto de benefícios proporcionado pelos principais pólos industriais brasileiros que movimentam bilhões de dólares anualmente e estão localizados em Estados como Rio de Janeiro, Bahia, Ceará e Pernambuco. O bom desempenho econômico de pólos industriais como Suape, Camaçari, Pecém, Feira de Santana e o Pólo Gás-químico do Rio de Janeiro incentivam governos, entre os quais do Pará e do Maranhão, a se empenharem para instalar novos parques industriais e tecnológicos em seus Estados. No caso do Pará, que no ano passado teve o maior crescimento industrial (14,2%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IGBE) entre todos os Estados, a governadora Ana Júlia Carepa (PT) está propondo o desenvolvimento de projetos mais amplos, em consonância com a agenda estratégica de desenvolvimento a ser implementada pelo próprio Estado. Atualmente, o Pará conta com quatro importantes distritos industriais: Ananindeua, Icoaraci, Marabá e Barcarena. O governo propõe que o Pará, um exemplo de força multiplicadora da indústria extrativista mineral, seja também modelo de desenvolvimento industrial. “O que o governo quer é o engajamento das grandes empresas no novo modelo de desenvolvimento proposto pelo Estado, agregando maior índice de ciência, tecnologia e inovação aos produtos e processos”, afirmou o secretário de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia, Maurílio Monteiro. Entre os projetos do governo estão de três parques tecnológicos, situados em Belém, Marabá e Santarém. Nas ações centrais estão o desenvolvimento urbano regional nas áreas de atuação das empresas, a participação das mineradoras no sistema regional de inovação, a discussão da ampliação do sistema de compra local e a articulação das atividades sociais das mineradoras com a agenda de desenvolvimento do governo.

MARANHÃO

Já o governo do Maranhão retomou a discussão para implantar um pólo siderúrgico no Estado, prevendo de investimentos de US$ 4 bilhões, da Companhia Vale do Rio Doce e da empresa chinesa Baosteel. O governador Jackson Lago reuniu-se em abril com o Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS) para avaliar o melhor local para o pólo. O presidente da Vale, Roger Agnelli, também se encontrou com Lago em maio e retomou a discussão do projeto depois de três anos de impasses para a escolha do local. Nessa reunião, ele prometeu estudar a possibilidade de construir o pólo no local desejado pelo governador: na foz do Rio Mearim, no município de Bacabeira, a 50 km da Ilha de São Luís. No projeto original da Vale, o pólo seria construído na ilha de São Luís, onde conta com terminais para o desembarque do carvão e a ferrovia para o transporte do minério de ferro.

PERNAMBUCO

Complexo Industrial Portuário de Suape, que tem 28 anos de história e empreendimentos nas áreas industrial, de logística e de operação de serviços portuários, prepara-se para implantar novos empreendimentos estruturadores. Entre eles, a instalação do primeiro pólo de poliéster do Nordeste, que terá como empreendedores a Petrobras, a italiana Mossi & Ghisolfi (M&G) e a Citepe, com aportes de US$ 800 milhões. Outro investimento, de US$ 2,5 bilhões, com início das obras previstas para este ano, é a Refinaria Abreu e Lima, que deve entrar em operação em 2010. Suape também vai contar com o maior moinho da América Latina e mais moderno do País, que será implantado pela Bunge Alimentos. Ampliando sua área portuária, a expansão do Cais 4, está em fase de conclusão.

CEARÁ

O Complexo Industrial e Portuário de Pecém está na briga para levar à frente um de seus maiores projetos: a Siderúrgica Ceará Steel, com investimentos previstos de US$ 750 milhões e geração de 1.600 empregos diretos e indiretos. A estratégia do governo cearense era que o projeto atraísse ao Porto cerca de 40 empresas em dez anos, formando um pólo metal-mecânico. O projeto contemplaria, na primeira fase, a construção de uma usina siderúrgica integrada para a produção de 1,5 milhão t/ano de placas de aço de alta qualidade, para exportação. Entre os investidores e sócios do empreendimento estão o grupo sul-coreano Dongkuk, produtor de chapas de aço; a empresa italiana Danieli, detentora de tecnologia para siderurgia; e a CVRD. O sonho começou a se desfazer em maio passado, quando o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, disse que o empreendimento provocaria um prejuízo de US$ 320 milhões no Estado nos próximos 20 anos. Segundo ele, esse prejuízo seria ocasionado pela renúncia fiscal e pelo subsídio da diferença de preço no fornecimento do gás para a fabricação das placas de aço que, conforme o protoloco assinado pelo consórcio que construiria a usina, estaria em torno de US$ 2,90 a US$ 3,45. A Petrobras quer o preço de produto a US$ 5,70, de acordo com valores do mercado mundial. O presidente do Conselho Estadual de Desenvolvimento Econômico (Cede), Ivan Bezerra, em audiência pública na Assembléia Legislativa do Ceará, em abril, disse que confia numa solução favorável à instalação do projeto Ceará Steel. “Creio que tanto os investidores como a Petrobras podem ceder um pouco mais, assinalou.

BAHIA

Nos últimos cinco anos, 37 empresas instalaram-se em Feira de Santana, que já congrega mais de 963 indústrias. A maioria das fábricas do município está concentrada no Centro Industrial do Subae (CIS), que conta com empresas como Pirelli, Klabin, Cervejaria Kaiser, Alumínio Tigre, Jossan, Yazaki, Vitaly Foods e Brasfrut. Em junho, foi anunciada a instalação da segunda fábrica da Nestlé no Estado, que significará 600 empregos diretos e, na primeira fase de funcionamento, prevista para novembro deste ano, a contratação de 250 trabalhadores. Feira de Santana ganhou este ano, além da Nestlé duas novas fábricas, inauguradas em março, a Goóc Criações do Vestuário e a Borxxan do Brasil, que devem gerar, nos próximos dois anos, cerca de 1.200 empregos diretos. A Watts Bahia, empresa do grupo Standard Tyres Indústria e Comércio de Borrachas e Polímeros começou, também em março, a implantação de uma fábrica de pneus para empilhadeiras. O Pólo de Cosméticos da cidade também vai ganhar nove fábricas de produtos de beleza e higiene, que empregarão 350 pessoas. O Pólo Industrial de Camaçari, po
r sua vez, tem mais de 60 empresas químicas, petroquímicas e de outros ramos de atividade como indústria automotiva, de celulose, metalurgia do cobre, têxtil, bebidas e serviços. Entre os maiores investimentos dos últimos anos está a instalação, do Complexo Industrial Ford Nordeste, considerado o maior e mais recente investimento da montadora em todo o mundo, estimado em US$ 1,2 bilhão, para produzir 250 mil veículos/ano para os mercados interno e externo. Outro empreendimento implantado foi o da empresa Monsanto, que investiu US$ 550 milhões para a instalação da primeira indústria de matérias-primas para herbicidas da América do Sul. Entre os principais desafios do Pólo Industrial está a atração de novas empresas transformadoras, principalmente de produtos finais químicos e petroquímicos, para fortalecer a cadeia produtiva do complexo.

RIO DE JANEIRO

Desde a inauguração, em 2005, o Pólo Gás-químico do Rio de Janeiro é o maior projeto de incentivo privado 100% nacional, com investimentos de US$ 1,2 bilhão. Com capacidade instalada de 540 mil t/ano, o pólo hoje está com sua capacidade de produção mensal girando ao redor de 40 mil t. Também fornece propeno para a ampliação produtiva da planta da Suzano Petroquímica. Entre os objetivos do pólo estão a geração de trabalho e renda ao trabalhador fluminense, qualidade de vida e qualificação profissional.

PÓLOS DE ETANOL

O crescimento da demanda interna e o crescente interesse mundial pelo etanol – segundo estimativas, os Estados Unidos demandarão 132 bilhões l em 2017 – é a principal causa para a expansão de projetos de pólos do álcool e açucar em todo o País. Segundo dados da União dos Produtores de Bioenergia (Udop), atualmente, a região Oeste do Estado de São Paulo possui 30 novos projetos de construção de usinas de açúcar e etanol. “Estas unidades devem processar cerca de 60 milhões t de cana quando em carga máxima”, afirma o presidente executivo Antonio César Salibe. Segundo dados da Dedini Indústrias de Base, empresa especializada na montagem de usinas, o Brasil conta com 357 usinas em operação e 43 em montagem. A expansão do setor sucroalcooleiro, de acordo com a empresa, se dá com 60% de usinas novas e 40% de usinas já existentes em fase de ampliação. Com o interesse pelo etanol, a perspectiva é um maior número dessas usinas. A Dedini tem a expectativa de faturar este ano R$ 1,7 bilhão e capacidade de produção de 24 usinas completas por ano. Cada usina completa, com capacidade para moer 2 milhões t de cana por safra e produzir 180 mil l de etanol por ano, custa cerca de R$ 250 mil. A usina demora cerca de dois anos para entrar em operação desde o projeto. Outra iniciativa quanto ao etanol foi anunciada pelo governo de Minas Gerais, que sediará um centro de inteligência e estudos para a utilização do etanol combustível (álcool) com o apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O valor do financiamento deste projeto ainda não foi divulgado porque o banco está iniciando os estudos. Não é o único projeto do BID nesta área: irá financiar mais US$ 255 milhões em três projetos de produção de etanol no Brasil: um projeto de bioenergia em Ituiutaba (MG), um em Campina Verde (MG) e outro em Orindiúva (SP). No caso de Minas Gerais, a idéia é identificar as potencialidades que assegurem maior competitividade ao álcool brasileiro. “Hoje, a prioridade absoluta do Governo de Minas é planejar o futuro neste setor. Minha preocupação não é nem espalhar novas usinas no Estado. Como existem em outras partes do mundo alguns centros inteligentes em determinadas áreas específicas, nós queremos consolidar esses centros em Minas”, afirmou o governador Aécio Neves.

Fonte: Estadão

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