Com investimento de R$ 60 bilhões, o projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP), na Bacia Sergipe-Alagoas, prevê duas plataformas, 32 poços e um gasoduto de 134 km. A primeira produção está prevista para 2030, quando o empreendimento terá capacidade para produzir 240 mil barris de óleo por dia e processar 22 milhões de m² de gás natural diariamente.
Um dos maiores projetos de expansão da produção de petróleo e gás no Nordeste, o SEAP é formado pelos módulos SEAP I e SEAP II e terá duas plataformas do tipo FPSO (unidades flutuantes de produção, armazenamento e transferência de petróleo e gás). Juntos, os módulos têm potencial para produzir mais de 1 bilhão de barris de óleo equivalente (boe) e deverão criar uma nova frente de produção offshore na região.
A Petrobras aprovou a Decisão Final de Investimento (FID) do SEAP II em dezembro de 2025 e a do SEAP I em abril de 2026. Em maio de 2026, a companhia assinou com a SBM Offshore o contrato para construção, fornecimento e operação das duas plataformas, que serão denominadas P-81 e P-87, no modelo BOT (Build, Operate and Transfer). Pela modalidade, a SBM será responsável pelo projeto, construção, montagem e operação das unidades durante um período inicial previsto em contrato, com posterior transferência dos ativos para a Petrobras.
“A escolha da modalidade de contratação BOT contribuiu para viabilizar o início da produção em menos tempo. Esse resultado reflete o trabalho conjunto da Petrobras, seus parceiros e o mercado fornecedor, visando agregar valor aos projetos e fortalecer a estratégia da companhia”, revelou, em nota, Renata Baruzzi, diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação da Petrobras. Os dois projetos foram estruturados conjuntamente para aproveitar sinergias e ganhos de escala.

A Petrobras destaca que otimizações de projeto, a revisão de termos e condições contratuais e a negociação conjunta das plataformas contribuíram para elevar a atratividade econômica dos dois módulos. Segundo a companhia, o projeto encontra-se atualmente em fase de execução, enquanto o processo de licenciamento ambiental está em andamento, com previsão de obtenção da Licença Prévia no final de 2026. “Os contratos dos FPSOs com a SBM já foram assinados e as contratações para equipamentos submarinos e parte do escopo do gasoduto já estão em curso. As demais devem ser iniciadas ainda esse ano”, afirmou a Petrobras, em nota.
O cronograma prevê que a produção de petróleo comece em 2030, enquanto a exportação do primeiro gás está programada para 2031. O prazo é resultado de uma estratégia de desenvolvimento que combinou a aprovação dos dois FIDs com a negociação conjunta das plataformas. Em abril, quando aprovou o FID do SEAP I, a Petrobras destacou que otimizações de projeto e a revisão de termos e condições contratuais haviam contribuído para a estruturação dos dois módulos. A expectativa de 2030 para o primeiro óleo também já constava da estratégia de contratação divulgada pela Petrobras quando o processo para os FPSOs foi iniciado, em 2024.
GASODUTO TERÁ 134 KM EM TERRA E NO MAR
O SEAP amplia de forma significativa a produção da Petrobras na Bacia Sergipe-Alagoas (SEAL). A P-81, do SEAP I, terá capacidade para produzir 120 mil barris de petróleo e processar 10 milhões de m³ de gás por dia, enquanto a P-87, do SEAP II, produzirá o mesmo volume de petróleo, mas poderá processar até 12 milhões de m³ de gás.

Além das duas plataformas, o projeto envolve uma extensa infraestrutura submarina, com 32 poços interligados aos FPSOs e um gasoduto de aproximadamente 134 km para o escoamento da produção. Do total, 111 km serão instalados em trecho marítimo e 23 km em terra. A Petrobras considera estratégica a produção de gás do SEAP, com potencial de até 18 milhões de m³ por dia ao mercado, ampliando a oferta doméstica e contribuindo para a expansão do mercado brasileiro, além de criar uma nova infraestrutura de escoamento associada a uma área produtora ainda em desenvolvimento.
De acordo com a companhia, o empreendimento abre oportunidades para o setor e para os estados nos dois estados. Com previsão de gerar mais de 10 mil empregos, o projeto deverá estimular o desenvolvimento do ecossistema industrial de Sergipe e Alagoas. “Além disso, vai viabilizar no país um novo marco tecnológico: a implantação de um projeto de produção em profundidade d’água acima de 2.500 metros (alcançando até 3 mil metros), incorporando inovações de última geração”, afirmou a Petrobras.
A implantação do SEAP também movimentará uma ampla cadeia de fornecedores e representa um desafio tecnológico pela profundidade das operações em alto-mar. Segundo a Petrobras, já está em andamento a licitação para o fornecimento das Árvores de Natal Molhadas (ANMs) e de equipamentos submarinos para os dois projetos. Ainda em 2026, está previsto o início das licitações para as demais infraestruturas, ampliando as oportunidades para empresas que atuam na cadeia de petróleo e gás.
Óleo leve é o destaque
As jazidas do SEAP contêm óleo leve, considerado de boa qualidade. No caso do SEAP II, a Petrobras informou uma faixa de 38 a 41 graus API para o óleo dos campos que compõem o módulo. Associado à P-87, o SEAP II compreende jazidas dos campos de Budião, Budião Noroeste e Budião Sudeste, localizados nas concessões BM-SEAL-4, BM-SEAL-4A e BM-SEAL-10. Os ativos estão localizados a aproximadamente 80 quilômetros da costa. A Petrobras é operadora da BM-SEAL-4, com 75% de participação, em parceria com a ONGC Campos, que possui 25%. Nas concessões BM-SEAL-4A e BM-SEAL-10, a Petrobras detém 100%. A unidade terá capacidade para produzir 120 mil barris de petróleo por dia e processar 12 milhões de m³ de gás natural por dia.
Já o SEAP I, associado à plataforma P-81, compreende as jazidas dos campos de Agulhinha, Agulhinha Oeste, Cavala e Palombeta, localizados nas concessões BM-SEAL-10 e BM-SEAL-11. A Petrobras é operadora da BM-SEAL-11, com 60% de participação, em parceria com a IBV Brasil Petróleo, que detém os 40% restantes. Na BM-SEAL-10, a Petrobras possui 100% de participação. A P-81 terá capacidade de produzir 120 mil barris de petróleo por dia e processar 10 milhões de m³ de gás por dia.
A Bacia Sergipe-Alagoas é uma bacia sedimentar localizada na margem continental do Nordeste, abrangendo os estados de Sergipe e Alagoas e suas áreas offshore. Tradicional área produtora de petróleo e gás, a bacia possui descobertas em águas profundas e ultraprofundas e chega a cerca de 3 mil metros de profundidade em sua porção marítima. Nesse contexto, o SEAP abre um novo horizonte de exploração, com campos localizados entre 80 km e 100 km da costa, em lâminas d’água de até 3 mil metros, que concentram reservas de óleo leve e volumes expressivos de gás natural.



