Enquanto as maiores construtoras do mundo (Top 250 da revista ENR) registram crescimentos sólidos em mercados como Canadá e Ásia, o Brasil ainda ocupa um papel secundário na estratégia dos gigantes globais da engenharia. Com um faturamento internacional que ultrapassa os US$ 540 bilhões, grupos multinacionais privilegiam países com regulação estável, deixando o território brasileiro fora do radar das grandes concessões e PPPs.
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1. O Ranking ENR: Top 250 International Contractors
Os dados da revista nova-iorquina Engineering News Record (ENR), parceira da revista O Empreiteiro, revelam que a concorrência global está cada vez mais agressiva.
- Receita Consolidada: As 250 maiores somaram US$ 543,97 bilhões em contratos internacionais em 2013, um salto significativo comparado aos US$ 167 bilhões de 2004.
- Mercados Dominantes: Ásia e Austrália lideram com 26,9% da receita global, seguidos pela Europa (20,6%) e Oriente Médio (15,5%).
- Crescimento Regional: O Canadá desponta com uma alta de 24,4%, enquanto o Norte da África e Oriente Médio apresentaram quedas recentes.
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2. O Paradoxo Brasileiro: Por que Gigantes Hesitam?
Apesar da necessidade de infraestrutura, o Brasil tem uma participação insignificante no mercado global de engenharia. Empresas como Bechtel, Skanska e Bouygues possuem forte atuação em vizinhos como Chile e Peru, mas reduzem ou evitam operações no Brasil devido ao chamado “Custo Brasil”.
Principais entraves apontados pelo mercado:
- Falta de Regras Claras: Licitações complexas e editais com brechas jurídicas.
- Influência Política: Órgãos reguladores com baixa autonomia técnica.
- Justiça Morosa: Lentidão na resolução de disputas contratuais e precatórios.
- Insegurança Jurídica: Mudanças repentinas em contratos de concessão de longo prazo.
“Não faltam expertise nem recursos financeiros para funding no mercado global, mas as construtoras privilegiam países com regulação clara e estável”, afirmam fontes do setor.
3. Expertise em PPPs: Exemplos que o Brasil Poderia Seguir
Gigantes como a alemã Hochtief (controlada pelo grupo espanhol ACS) e a sueca Skanska são referências mundiais em Parcerias Público-Privadas (PPPs), modelo que o Brasil tenta alavancar.
- Case Hochtief (EUA): O projeto Presídio Parkway, na Califórnia, é uma via expressa com concessão de 33,5 anos, financiada e operada pela iniciativa privada.
- Case Skanska (Suécia e Inglaterra): Construção e operação de hospitais de alta complexidade, como o New Karolinska Solna, integrando construção, financiamento e manutenção por décadas.
- Segmento Industrial: No Brasil, empresas como a Hochtief optaram por focar quase exclusivamente no setor privado (construção industrial e empresarial) para evitar os riscos das obras públicas.
4. Consolidação e Novas Entradas: Aecom e Jacobs
Apesar do cenário adverso, algumas empresas de engenharia consultiva e gerenciamento estão se posicionando no mercado brasileiro através de aquisições. A Aecom (que assumiu o controle da URS) e a Jacobs (com forte presença em projetos de infraestrutura) buscam capturar oportunidades em nichos específicos, como óleo e gás e projetos olímpicos.
Para que o Brasil deixe de ser um mercado secundário para os “Top 250”, a lição de casa envolve a criação de um ambiente de negócios previsível, onde o investidor tenha a segurança de que o contrato assinado hoje será respeitado pelos próximos 30 anos.


