Embora o abismo entre as classes sociais no Brasil ainda seja um desafio estrutural, a última década apresentou uma redução considerável na concentração de renda. Segundo a pesquisa Síntese de Indicadores Sociais, divulgada pelo IBGE, o rendimento familiar per capita da fatia mais rica da população recuou de 63,7% para 57,7% do total da riqueza nacional.
No mesmo período, a base da pirâmide (os 20% mais pobres) registrou crescimento, elevando sua participação na riqueza do país de 2,6% para 3,5%.
Pilares da Redistribuição de Renda
De acordo com Leonardo Athias, pesquisador do IBGE, essa transformação é resultado de um “duplo fenômeno” que combina crescimento econômico e ações afirmativas:
- Valorização do Salário Mínimo: Aumento real do poder de compra na base da pirâmide.
- Programas Sociais: Expansão de iniciativas como o Bolsa Família.
- Ganhos Educacionais: Melhoria na qualificação, permitindo que trabalhadores busquem postos de maior remuneração.
- Controle da Inflação: Preservação do salário das classes mais baixas, que não possuem proteção via sistema financeiro.
O Coeficiente de Gini e o Cenário Internacional
O Coeficiente de Gini, principal indicador global de desigualdade (onde quanto menor o número, mais igualitário é o país), confirma a tendência de queda. No Brasil, o índice que atingiu o pico de 0,602 na década de 90, recuou para 0,508.
Para efeito de comparação internacional com dados do Pnud:
- Suécia: 0,250 (Referência de baixa desigualdade);
- Brasil: 0,508 (Tendência de queda);
- Angola: 0,586 (Alta concentração de renda).
“As políticas de renda e a educação estão tornando a população mais homogênea, permitindo que a base da pirâmide almeje postos mais altos”, destaca Athias.
Resumo dos Indicadores Sociais
| Indicador | Dado Anterior | Dado Recente | Tendência |
| Riqueza (20% mais ricos) | 63,7% | 57,7% | Queda |
| Riqueza (20% mais pobres) | 2,6% | 3,5% | Crescimento |
| Coeficiente de Gini | 0,602 | 0,508 | Melhora (Redução) |




