A construção da Rodovia Transamazônica, oficialmente denominada BR-230, começou oficialmente em 9 de outubro de 1970, quando o então presidente Emílio Garrastazu Médici inaugurou simbolicamente as obras em Altamira, no Pará.
Na ocasião, uma placa de bronze foi fixada no tronco de uma castanheira amazônica marcando o início da rodovia, concebida como parte de um projeto ambicioso de integração nacional e ocupação da Amazônia.

4
Projeto previa ligar o Atlântico à Amazônia
A Transamazônica foi idealizada como uma rodovia longitudinal que atravessaria a Amazônia, conectando o litoral brasileiro à região amazônica e à fronteira com o Peru.
Inicialmente, o projeto previa uma estrada com mais de 5.500 km de extensão, com pista de 8,6 metros de largura e faixa de desmatamento de cerca de 70 metros de cada lado ao longo de todo o traçado.
A rodovia permitiria o transporte desde João Pessoa até Lábrea, cruzando vastas áreas da floresta amazônica.
Em setembro de 1972, Médici retornou à região para entregar oficialmente os primeiros 1.254 km da estrada, ligando Estreito a Itaituba. A conclusão da rodovia ocorreu em 30 de janeiro de 1974, menos de quatro anos após a aprovação do projeto por decreto-lei.
Integração nacional e ocupação da Amazônia
A Transamazônica foi concebida como parte de uma estratégia do governo militar para integrar a região amazônica ao restante do Brasil, estimular o desenvolvimento econômico e garantir maior presença do Estado em uma área considerada estratégica.
O projeto também fazia parte do Programa de Integração Nacional (PIN), lançado em 1970, que pretendia assentar cerca de 100 mil famílias ao longo da rodovia.
A ideia era transferir agricultores do Nordeste para ocupar áreas disponíveis na Amazônia, em uma política resumida à época pela frase:
“levar homens sem terra para terras sem homens”.
Tentativas anteriores de integrar a Amazônia
A iniciativa de integrar a Amazônia ao restante do país já havia sido tentada antes.
Entre as principais iniciativas anteriores estão:
- o Plano de Valorização da Amazônia (PVEA), criado no governo de Getúlio Vargas
- o programa rodoviário do governo Juscelino Kubitschek, que resultou na abertura de rodovias como a Belém-Brasília e a Cuiabá-Porto Velho
Leia também: Governo federal inclui cinco novas obras portuárias no PAC.
Essas estradas foram importantes para abrir caminhos na região, embora enfrentassem grandes dificuldades de infraestrutura.
Construção enfrentou condições extremas
A construção da Transamazônica envolveu diversas empresas de engenharia brasileiras, entre elas:
- Queiroz Galvão
- Camargo Corrêa
- Mendes Júnior
- CR Almeida
As obras ocorreram em condições extremamente difíceis, com trabalhadores enfrentando:
- isolamento total na floresta
- falta de comunicação por longos períodos
- doenças tropicais como malária e leishmaniose
- contato com animais selvagens
Os caboclos da região amazônica tiveram papel essencial nas obras, auxiliando os operários com conhecimento da floresta, orientação em trilhas e uso da madeira local para construção de pontes.
Situação atual da rodovia
Apesar da dimensão histórica do projeto, grande parte da BR-230 ainda enfrenta problemas de infraestrutura.
Atualmente, muitos trechos da rodovia apresentam:
- pavimentação incompleta
- travessias por balsas em rios
- dificuldades de tráfego durante o período de chuvas
A rodovia atravessa estados como:
- Paraíba
- Ceará
- Piauí
- Maranhão
- Tocantins
- Pará
- Amazonas
Com extensão total próxima de 4.740 km, a estrada ainda apresenta desafios para garantir trafegabilidade plena.
Obras de pavimentação incluídas no PAC
Para melhorar as condições da rodovia, o governo federal incluiu trechos da Transamazônica no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
O programa destinou cerca de R$ 950 milhões para:
- pavimentação de 835 km da rodovia
- construção de pontes
- melhoria de trechos estratégicos
Entre os principais segmentos previstos estão:
- pavimentação no Pará entre Marabá, Altamira, Medicilândia e Rurópolis
- duplicação do trecho João Pessoa – Campina Grande, na Paraíba
Parte dos estudos ambientais e projetos básicos ficou sob responsabilidade do Centro de Excelência em Engenharia de Transportes (Centran).
Um dos maiores projetos rodoviários do Brasil
A Transamazônica continua sendo uma das rodovias mais emblemáticas da história da infraestrutura brasileira. O projeto marcou um período de grandes obras públicas e simbolizou a tentativa de integrar regiões isoladas do país.
Mesmo após décadas de sua construção, a rodovia ainda representa um desafio logístico e ambiental para o Brasil, exigindo investimentos contínuos para garantir sua plena utilização.





