São Paulo estuda modelo de exploração

Após muitos anos de discussões e projeções, ainda não é possível afirmar que o Ferroanel de São Paulo, finalmente, deixará de ser apenas uma intenção para se tornar realidade. Porém, já se sabe que a data prevista para a obra sair do papel (até o final deste ano), conforme previa o cronograma inicial do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), não será cumprida.

Para a realização da obra, que é avaliada em cerca de R$ 2 bilhões, será necessária ainda a elaboração de um estudo que defina o modelo operacional do Ferroanel (tramo Norte, Noroeste e Sul), com as diretrizes para transpor a região metropolitana de São Paulo, os acessos às plataformas logísticas, as segregações das linhas de carga e passageiro, e a ligação até Santos (SP). O projeto inclui ainda o estudo de demanda de cargas para a região metropolitana, que definirá o modelo de financiamento e o tipo de concessão (privada ou público-privada). O valor orçado para os estudos é de R$ 4 milhões e, desse total, já foram utilizados R$ 400 mil, entre 2007 e 2010, de acordo com o balanço do PAC.

Recentemente, entretanto, o projeto deu um importante passo com a assinatura da ordem de serviço para a realização desse estudo. O levantamento será feito, no prazo de um ano, pelo Consórcio Ferroanel Paulista, que é composto pelas seguintes empresas: Logit Consultoria (é a líder do grupo, com 32% de participação), Setec (com 21%, responderá pela modelagem operacional), Maia Melo Engenharia (com 15%, projeto de engenharia e orçamentos), Machado Meyer (14%, modelo de concessão), JGP (10%, questões ambientais) e LCA (8%, modelo de negócio).

O mais provável é que o anel ferroviário faça, inicialmente, a ligação entre as cidades de Jundiaí e Santos, o que representa pouco mais de 210 km de trilhos. Além de solucionar conflitos decorrentes do compartilhamento de vias pelos tráfegos de passageiros e de cargas na região centro-leste do Estado de São Paulo, o corredor facilitará o escoamento de cargas para os portos de Santos e Guaíba (Sepetiba-RJ). Na área de influência do projeto se encontram os principais pólos de produção e consumo do País, onde circulam mais de 60% do Produto Interno Bruto (PIB) e se concentram mais de 20% da população brasileira. Os tramos do Ferroanel deverão ser implantados em áreas onde existem importantes mananciais hídricos que abastecem São Paulo.

Outra razão para a construção do Ferroanel é o crescimento contínuo das movimentações de cargas pelo porto de Santos, que responde por 41% dos contêineres movimentados no Brasil. Esse aumento ocorreu quando muitos especialistas afirmavam que a zona portuária santista já estava saturada.

O Ferroanel possibilitará o fechamento completo de um anel ferroviário no entorno da região metropolitana de São Paulo por meio de linhas ferroviárias a serem construídas, conectando-se às malhas leste (da MRS) e oeste (da ALL) já existentes e também as linhas em operação da Companha Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). De acordo com a maioria dos especialistas, ele deverá contribuir para desafogar as estradas, já que as ferrovias oferecem um transporte eficiente e mais seguro para vários tipos de carga. A segurança defendida é no caso de roubo que dificilmente ocorrerá com os trens, porém, comuns em rodovias.

Fonte: Estadão

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