Tarifa no mercado livre será decisiva para definir leilão da hidrelétrica Santo Antonio

BRASÍLIA – O leilão da hidrelétrica Santo Antonio, marcado para hoje em Brasília, ainda tem uma questão importante pendente: a fatia de energia a ser destinada ao mercado livre e de auto-produtores. Esses agentes terão que pagar mais caro do que o preço máximo fixado no leilão, de R$ 122 pelo MWh. O pool de distribuidoras (consumidores cativos) poderá ter preços inferiores, por conta de um redutor. A mistura desses dois fatores é um elemento chave para os consórcios chegarem a um preço médio menor, elevando as chances de vencer a disputa pela hidrelétrica a ser instalada na região amazônica.

Santo Antonio terá 3.150 megawatts (MW) de capacidade instalada e desse total, a energia assegurada – ou seja, a que vale nos contratos – é de 2.218 MW. Do total da energia da usina, no mínimo 70% precisam ser oferecidos às 31 distribuidoras (mercado cativo), que compram em ” pool ” . O que vai definir o lance vencedor hoje é a menor tarifa oferecida por 100% da energia assegurada.

Do total, 30% podem ser vendidos a consumidores livres e auto-produtores em contratos bilaterais. Outro cliente potencial são as comercializadoras dos próprios participantes, entre eles Suez, Cemig e CPFL Energia. Daí a importância da estratégia de comercialização dessa fatia de energia para o preço final do leilão.

A tarifa para esse tipo de cliente pode ser mais alta porque não são regulados pelo governo. Nos últimos meses, grandes consumidores, como Vale do Rio Doce e o grupo Votorantim, discutiram com todos os consórcios o preço para contratação antecipada. A Vale, maior consumidora individual do país, ainda mantém interesse.

” A Vale quer ter auto-produção. Estamos conversando com os empreendedores. A questão é o custo do projeto, o custo da energia ” , disse Roger Agnelli, presidente da Vale. Ele afirmou que a mineradora poderia se aliar diretamente ao consórcio vencedor no futuro. Pela regra, quem vencer poderá ter adesões até maio, quando for assinado o contrato, desde que o novo sócio não tenha participado do leilão.

Em relatório distribuído na sexta-feira, o banco UBS Pactual estima que os investidores podem obter retorno de dois dígitos mesmo que ofereçam R$ 105 por MWh pelos 70% destinados ao consumo cativo. Essa tarifa representa um deságio de 14% sobre os R$ 122 fixados como teto. Mas o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Mauricio Tolmasquim, não espera grande deságio. Para a tarifa garantir rentabilidade adequada, os 30% da energia restante teriam que ser vendidos entre R$ 130 e R$ 135 o MWh aos consumidores livres.

O relatório feito por Pedro Batista, Eduardo Haiama e Rafael Espírito Santo destaca que, considerando que a hidrelétrica exigirá investimentos de R$ 9,5 bilhões (75% financiados pelo BNDES), a venda de 30% para os livres por R$ 135 MWh permitirá que o projeto garanta um retorno real de 13%. Para os grandes consumidores, a decisão pela contratação precisa levar em conta vários fatores, como o preço atual no mercado livre (R$ 140 o MWh), a escassez de oferta futura e o custo da energia substituta. Santo Antonio é um dos projetos mais baratos de energia nova no médio prazo no país.

Fonte: Estadão

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