Trens automatizados sem condutor operam com sucesso há quatro anos

 

A ViaQuatro investe na tecnologia mais avançada do mundo e garante resultados positivos para a Linha 4-Amarela do metrô, em São Paulo, primeiro contrato de PPP assinado no País; empresa deve atingir o ponto de equilíbrio neste ano e busca diversificar receitas
José Carlos Videira

 

Neste ano, o Papai Noel deixou o trenó de lado e resolveu usar o metrô da Linha 4-Amarela. A campanha “Natal em Movimento” do Banco Santander, de 1º a 25 de dezembro, decora e ilumina com motivos natalinos um dos 14 trens que circulam pelo trecho operacional de 9 km da Linha 4, entre as estações Luz e Butantã, na cidade de São Paulo. E o bom velhinho foi escalado para ouvir os pedidos dos cerca de 700 mil usuários que utilizam a linha, fruto da primeira Parceria Público Privada (PPP) efetivada no Brasil.

A campanha de Natal e a inauguração no mês de novembro da Estação Fradique Coutinho, no bairro de Pinheiros, sétima da Linha 4-Amarela, e a primeira da segunda etapa do projeto, marcam o encerramento de mais um ano de operação bem-sucedida a cargo da ViaQuatro. “São oito anos, desde a assinatura do contrato, sendo quatro anos de operação, dos quais três de operação plena”, lembra o presidente da empresa, Luís Valença.

Luís Valença, presidente da ViaQuatro: Ponto de equilíbrio neste ano
 

O executivo afirma que governo, população, colaboradores, acionistas e bancos financiadores estão satisfeitos com a operação. “Conseguimos fazer algo que realmente atendeu às necessidades e expectativas de todos esses públicos”, destaca.

Criada como Sociedade de Propósito Específico para operar e manter a linha de 13 km e 11 estações por 30 anos na rede metroviária da capital paulista, a ViaQuatro é controlada pela CCR e mais quatro sócios. Iniciou a operação em julho de 2010, e tem até junho de 2040 para gerar retorno do capital investido e, principalmente, mostrar a eficiência dos servidos prestados à população.

Opera hoje com sete estações (Luz, República, Paulista, Fradique Coutinho, Faria Lima, Pinheiros e Butantã) e 9 km de linhas operacionais. Quando forem concluídas as quatro estações da segunda etapa (Higienópolis-Mackenzie, Oscar Freire, São Paulo-Morumbi e Vila Sônia) — obras essas a cargo da Companhia  do Metrô — um milhão de passageiros estarão usando a metroferrovia todos os dias úteis e avaliando a eficiência da primeira empresa privada a operar uma linha de metrô no Estado de São Paulo.

Valença enfatiza os níveis de satisfação do cliente (como chamam os passageiros) no tocante à operação dos trens da Linha 4-Amarela nesse período de operação plena da concessionária. “Temos pesquisas que mostram que é da ordem de 87%”, aponta. Segundo ele, a eficiência no atendimento também é acompanhada de perto pelo poder concedente a cada seis meses. Entre os indicadores que reforçam a qualidade dos serviços da ViaQuatro, o presidente destaca o índice de passageiro por m². “No horário de pico, temos menos de quatro passageiros por m²”, diz.

 

De acordo com o presidente da ViaQuatro, do ponto de vista de qualidade, o usuário está satisfeito. “O número de falhas é muito pequeno e o nível de disponibilidade da frota é 100%”, calcula.

 

Ponto de equilíbrio

A concessionária já investiu, desde a assinatura do contrato da PPP, em 2006, US$ 450 milhões. “Já estão encomendados e sendo fabricados na Coreia do Sul, pela Hyundai-Rotem, mais 15 trens para a segunda etapa da operação”, informa Valença. Ao longo dos próximos anos da concessão, serão investidos pela ViaQuatro outros US$ 2 bilhões em melhorias, atualizações e custos operacionais da metroferrovia.

“Neste ano, atingiremos o break-even point”, comemora Valença. Segundo ele, a empresa já começou a gerar lucro e deve amortizar os prejuízos acumulados desde o período de pré-operação e início das atividades plenas.

 

Papai Noel

A receita diária gerada pelos 700 mil usuários, que se transformarão em um milhão em futuro próximo, quando a obra das quatro novas estações estiver concluída pelo governo do Estado, não é a única fonte de faturamento da ViaQuatro. Chamadas de receitas acessórias, o dinheiro cobrado pela publicidade estática e dinâmica, quiosques e telefonia celular já representam 7% da receita total com passageiro.

“Essa fonte de recursos já superou nossa meta, que era de 5% ou 6%”, ressalta o presidente da empresa. Segundo ele, o objetivo da companhia é o de atingir 10% do faturamento com receitas acessórias, “em algum momento futuro da operação”, antecipa Valença. Portanto, negócios como o Natal do Santander devem ganhar espaço nos trens da ViaQuatro e ser muito bem-vindos daqui para frente.

 

Campanha de Natal do Banco Santander em trem da ViaQuatro é uma das fontes de receita adicional, que já representa 7% do total com passageiros

 

Pioneirismo de uma PPP avaliada todos os dias pelos usuários

O primeiro contrato de Parceria Público-Privada (PPP) no Brasil foi assinado pela ViaQuatro e o Governo do Estado de São Paulo no final de 2006. O contrato prevê que é obrigação do governo construir toda a infraestrutura (linha permanente, estações, subestações de energia etc.) e todos os sistemas básicos. À concessionária compete comprar os trens e todo um conjunto de sistemas para a operação e a manutenção da linha pelo prazo contratual.

E pelo ineditismo da operação, até então, o presidente da ViaQuatro, Luís Valença, lembra que os desafios foram de toda a ordem, desde o regulatório ao tecnológico, passando pelo financiamento.

“Do ponto de vista regulatório foi um aprendizado entre todos os agentes públicos e privados envolvidos no processo”,
conta Valença. Mas, ao longo do tempo, segundo ele, todos aprenderam de forma positiva. “Os instrumentos previstos no contrato funcionaram no tempo e na forma previstos”, afirma.

Valença ressalta que, até hoje, não existe agência reguladora para fins de PPPs no Brasil. “Mesmo assim, conseguimos fazer o empreendimento andar adequadamente”, pondera. Ele ressalta que “não foi fácil, porque ninguém tinha experiência”, lembra. “Mas todo mundo está satisfeito com os resultados até agora.”

 

A mais nova estação da Linha 4-Amarela, inaugurada em novembro

 

Fonte: Revista O Empreiteiro

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