US$ 1,8 bi em obras para ampliar logística da Vale

US$ 1,8 bilhão. Isso é quanto a Companhia Vale do Rio Doce deverá investir, até o final de 2011, no Sistema de Logística Norte, composto pela Estrada de Ferro Carajás (EFC) e o porto de Ponta da Madeira, que formam o corredor para o escoamento de minério de ferro de Carajás. O objetivo é capacitar o sistema para o aumento de produção de minério de ferro, que deverá alcançar, até o final desse período, a marca de 230 milhões de t/ano. Esse número será atingido somando-se a produção de Carajás Serra Norte, que hoje produz cerca de 100 milhões de t/ano, devendo chegar a 130 milhões nesse prazo, com a de Carajás Serra Sul (Parauapebas), que inicia sua produção em 2011 já no patamar de 100 mil t/ano. Só em 2007, a expansão do Sistema de Logística Norte consumiu investimentos da ordem de US$ 337 milhões. E para 2008, estão orçados gasto de US$ 334.

Para efeito de desembolso dos recursos, a Vale dividiu seu plano de investimentos em três etapas. São elas o Programa 100, que se refere às intervençãos que foram realizadas para que a ferrovia fosse capaz de movimentar 100 milhões de t/ano; Programa 130, para a meta dos 130 milhões de t/ano; e o Programa 230, para as 230 milhões de t/ano.

Até o final de 2007, tinham sido executadas todas as obras do primeiro programa que, por terem sofrido algum atraso, acabaram se sobrepondo às intervenç~çoes das etapa seguinte.

Parte dos US$ 1,8 bilhão serão empregados nas obras de duplicação de 546 km de via, dos 892 km que a compõem a ferrovia, em linha singela e bitola de 1,60m. Outra parte já está sendo empregada na ampliação dos 56 pátios de cruzamento ao longo de toda a via e dos terminais de São Luis e Carajás, cujas obras começaram em 2007. Também já foram iniciadas as obras de ampliação das oficinas existentes e construção de novas unidades.

A ampliação visa permitir a manobra de trens maiores. Atualmente, o trem-tipo (usado na maioria das operações) de Carajás é formado por 210 vagões tracionados por duas locomotivas. Com o aumento da produção, as composições passarão a ser formadas por 312 vagões e quatro locomotivas, o que resultará em ganhos de produtividade da frota e economia de combustível.

Para permitir a operação de trens 50% maiores que os atuais, a E. F. Carajás instalará nas locomotivas o sistema Locotrol. Trata-se de um sistema de controla remotamente, através de ondas de rádio, os esforços de tração e frenagem, de forma ideal, por todas as locomotivas que compõem o comboio. O comando parte do maquinista da primeira locomotiva que, à distância, opera as demais.

Ferrovia verde

Ainda como parte do programa capacitação da Logística Norte, está prevista a construção de uma nova ferrovia, com 104 km de extensão, em via dupla, ligando a nova mina de Parauapebas ao Porto de Ponta da Madeira.

Na nova ferrovia está prevista a construção de 10 pontes e viadutos, num total de 1.600 m. O traçado prevê ainda dois túneis, somando 1.500 m. O primeiro nas proximidades de Sossego e o segundo em Parauapebas.

De acordo com o engenheiro Camillo Francisco, analista de projeto, foram propostas cinco alternativas de traçado. O escolhido, por ser considerado o que oferece melhores condições operacionais, prevê raio máximo de curva de 85o e rampa máxima de 1% no sentido porto-mina (trem vazio) e 0,4o no sentido contrário, com trem cheio.

Nesse momento a Vale está concluindo a análise do projeto conceitual, elaborado pela Minerconsult Engenharia. Em seguida será dando início à análise do projeto básico da nova linha, a cargo da Vega Consultoria e Engenharia.

O departamento de Suprimentos, também começou a trabalhar em função do projeto, calculando o volume de trilhos, dormentes, brita e outros componentes da super-estrutura e infra-estrutura que serão necessários. Os fornecedores ainda não foram identificados.

Só para a terraplanagem, o engenheiro estima que serão removidos cerca de 18 milhões de m3 de terra. Para a instalação do lastro serão adquiridos cerca de 2 milhões de m2 de brita. Os trilhos a serem adquiridos são TR 68 e os dormentes serão de aço, seguindo uma nova tendência de Carajás que está gradativamente adotando esse material mesmo na linha tronco.

A Vale também vem realizando testes com dormentes de plástico e borracha reciclados, combinados com materiais como bagaço de cana. Cerca de 1.200 dormentes desse tipo já foram instalados ao longo de Carajás, sem falar nos 115 mil dormentes de aço e 8 mil dormentes de concreto. Apenas com o uso do aço no lugar da madeira, mais de 500 mil árvores deixaram de ser derrubadas. A meta da Vale é, gradativamente ir substituindo, a cada ano, tanto em Carajás quanto na Vitória a Minas, cerca de 400 mil dormentes de madeira por aço, o que equivale à preservação de 100 mil árvores/ano.

Investimentos também no porto

Paralelamente às intervenções na ferrovia, a Vale está investindo do porto de Ponta da Madeira, por onde o minério é exportado, para torná-lo apto a embarcar 210 milhões de t/ano. A prioridade é para a construção do Píer IV, com 21 m de calado, que deverá estar pronto em 2011.

Atualmente há no porto três piers em operação. O Píer I, com profundidades de 23 m, que coloca Ponta da Madeira entre os portos de maior profundidade do mundo, e o Pier III, com 21 m de profundidade, são os responsáveis pelo carregamento de minério de ferro, manganês e pelotas. O Piér II, com 18 m de calado, por sua vez, é o ponto de carregamento de carga geral – ferro gusa, soja, farelo de soja e cobre, entre outras.

Os três juntos conferiram a Ponta da Madeira a capacidade de exportação de aproximadamente 90 milhões de t. de minério, além de 5 milhões de t. de carga geral.

Além do novo pier, o porto deverá ter aumentada a quantidade de viradores de vagões. Atualmente são três viradores, cada um com capacidade para 8 mil t/hora. Até o fim de 2011 outros oito serão adquiridos.

Também serão compradas mais máquinas de pátio, sendo duas empilhadeiras, três recuperadoras, dois carregadores de navios e duas máquinas mistas (empilhadeiras/recuperadoras).

Quatro novos pátios de estocagem de minério serão construídos, cada um com capacidade instalada de 5,5 milhões de toneladas de minério.

À medida em que esses investimentos forem se materializando, o porto terá aumentada sua capacidade. Em 2008, por exemplo, ele terá alcançado uma capacidade instalada para 111 milhões de t. Já em 2009, com boa parte dos novos equipamentos em operação, o sistema estará capacitado
para embarcar 120 milhões de t/ano. Para 2010, espera-se contar com 134 milhões de t de capacidade.

De acordo com Walter Pinheiro, gerente de Operação Portuária de Ponta da Madeira, com todos esses investimentos consolidados e funcionando a plena capacidade, no final de 2012 e início de 2013, Ponta da Madeira estará pronto para movimentar 230 milhões de toneladas. Ou seja: num intervalo de apenas cinco anos, o porto terá dado um salto na sua capacidade de movimentação, de 90 milhões de t/ano – o que levou 22 anos para ser alcançado – para 230 milhões de t/ano, o que representará um crescimento de cerca de 150%

Fonte: Estadão

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