Usinas traçam estratégias para redirecionar o etanol no País

Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês), as exportações de etanol do Brasil em 2009/2010 sofrerão uma redução de 1,35 bilhão de litros, para 3,7 bilhões de litros por conta, principalmente, da desaceleração da demanda norte-americana. No entanto, exatamente após 30 anos da chegada ao mercado dos primeiros carros que circulavam somente a álcool, serão as vendas desses veículos que deverão garantir um aumento no consumo interno de 2,45 bilhões de litros durante o próximo ano-safra, equilibrando a oferta e também os preços que, na temporada atual, estão cerca de 20% inferiores a temporada passada.

Por enquanto, a retração nas exportações continua penalizando os agentes do setor. Em abril, as vendas externas de álcool tiveram redução, em dólares, de 32,2%, totalizando US$ 93 milhões. O resultado é fruto de retração tanto do volume exportado (-13%) quanto do preço (-22%). Com isso, os produtores de diferentes regiões do País buscam alternativas para garantir a venda do produto.

Em São Paulo e no Mato Grosso do Sul, cerca de 25 usinas se uniram para dar origem a uma nova empresa, a Brasil Etanol Business Center (Brasil EBC), com o objetivo de criar um banco de dados de comercialização do setor para gerar melhores negócios às indústrias. Além de informações sobre oferta e demanda de etanol, a companhia poderá atuar também no processo de negociação.

Em Goiás, a indústria conseguiu a aprovação da redução da Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) do etanol hidratado de 26% para 20%. Atualmente o estado tem 29 usinas em funcionamento. “A medida vai ampliar a oferta do álcool, o consumo vai aumentar e, em consequência disso, haverá aumento da arrecadação”, afirmou Alcides Rodrigues, governador de Goiás.

Na última semana, representantes do setor sucroalcooleiro de Pernambuco e Alagoas se reuniram com membros da Câmara Setorial da Cana-de-Açúcar, Álcool e Açúcar da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) para discutir soluções emergenciais em relação a inadimplência das usinas com os fornecedores de cana. Na ocasião, Fernando Bezerra Coelho, presidente da Câmara, afirmou que pretende negociar com a BR Distribuidora uma antecipação mediante contratos de compra e vendas futuras de 100 milhões de litros de álcool, visando o aumento da liquidez , e com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para uma possível compra antecipada de açúcar.

Ao mesmo tempo, técnicos da Dedini estão no Sudão para a implantação da primeira usina de etanol fabricada pela empresa na região. A usina Kenana, com capacidade para processar 61 milhões de litros de etanol por ano, começou a operar essa semana.

Mecanização

Com o avanço sobre 157 mil hectares de área colhida de cana, a utilização de máquinas colheitadeiras nos canaviais paulistas superou 49% das lavouras na safra 2008/2009, de acordo com dados divulgados pela Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo (SMA). Esse resultado indica que na última safra colhida, de 3,9 milhões de hectares no Estado, a mecanização superou mais de 2 milhões. A utilização de colheitadeiras elimina a necessidade de queima da palha da cana, procedimento adotado para facilitar o corte manual da planta.

Segundo o diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Antonio de Padua Rodrigues, o índice seria ainda maior se fossem considerados apenas os canaviais das usinas. “Nas áreas das unidades processadoras, a mecanização atingiu, em média, 60% da área colhida na safra passada”, disse.

Fonte: Estadão

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