COLUNA DO MND: A vala de sondagem

Na década de 60, perdi minha avó materna, ANGELA ORTENZI DE CIVITA, uma italiana forte, de olhos azuis, e naquele último domingo, ela preparou o tradicional almoço, para suas sete filhas e um filho, mais cinco genros, e seu treze netos e netas, aquele tradicional almoço das famílias italianas. Na 2ª feira dores no abdômen com inchaço, levaram minha avó para o Hospital Santa Joana na Aclimação, ali o médico ao operar constata uma metástase, fecha e não tivemos o almoço do domingo seguinte.

Nos dias de hoje, muito antes de minha avó começar a passar mal, tomografias, ressonâncias magnéticas e outros avanços da medicina investigativa, evitariam eventualmente até sua morte. Tudo, por MND, sem abrir o abdômen do paciente? Nem sempre, muitas vezes após intensa investigação não invasiva (repito por MND), o médico leva o paciente para o hospital e faz uma “vala de sondagem” , o que nós no MND em outros países mais antenados com a engenharia chamamos de “inspeção à luz do dia”, o que no centro cirúrgico é feito sob a iluminação de potentes holofotes, exatamente perto de 5000 K, luz do meio dia

Bem, agora, nos valemos dos recursos dos métodos não invasivos, ou se preferirem, os métodos não destrutivos, que são os aparelhos com recursos eletromagnéticos, ou outras fontes geofísicas como por exemplo o conhecido GEO RADAR, e fazemos nova busca identificando redes que não foram identificadas, nem visualmente nem pelos cadastros e outros indícios.

Ainda assim, algumas interferências no subsolo ainda permanecerão ocultas e desconhecidas. Aí entra a  VALA DE SONDAGEM. Um trecho não captado pelo GPR, por exemplo, pode ser identificado através dela.  Nos EEUU, essa vala pode ser aberta, com equipamento de corte de água à alta pressão, e o material escavado retirado pela pressão negativa do mesmo aparelho. Um furo de inspeção de 4” (100 mm) onde com o auxílio de uma lanterna você identifica a presença da rede oculta. Em 2004, eu trouxe um desse equipamentos, novidade nos EEUU àquela época, e tive que enviá-lo de volta sem uso.

Como o Brasil caminha uns 20 anos atrasado no nosso setor em relação aquele país, breve teremos mais esse recurso. Na foto ao lado todas as redes foram expostas. Esta etapa inicial, que deveria ser completada no projeto, independentemente do porte da instalação (desde um tubinho de gás de 4” até condutos de grandes diâmetros como da PETROBRÁS), é crucial.  Como há risco de acidentes fatais, deveria estar coberta por uma NR que responsabilizasse o profissional responsável pelo projeto e obra (ambas ARTs), civilmente. Me

parece que somente assim assumiremos o caráter responsável que essa atividade requer. Uma visão como a da vala de sondagem ao lado, sem dúvida, é a garantia para quaisquer instalações por HDD ou outro método não destrutivo. É responsabilidade do projetista fazer esse levantamento, afinal, após a fase de CONCEPÇÃO, ele precisa garantir tecnicamente que a instalação é viável.

Há maneiras bem elementares de se abrir a vala (1) numa via pavimentada, a maioria, há necessidade de demarcar, cortar e escavar. (2) escavação manual, com mini escavadeira ou retro escavadeira dependendo da dimensão da pesquisa (3) com escavação à jato d´água de altíssima pressão e retirada à pressão negativa (vácuo). Assim, estes dias ouvi de uma autoridade da área de saneamento: “Mesmo depois de anos cuidando de uma determinada área , numa ampliação como por exemplo se fez nas marginais do Tiete, na cidade de São Paulo, perde-se a referência”. Portanto, não negligencie esta questão; se você tem o poder de contratar um projeto, pague o projetista por essa atividade e suas tarefas. Viva sossegado e não coloque outras atividades e pessoas em risco.

*Sérgio A. Palazzo, é engenheiro mecânico, de produção e em fase final de conclusão da Pós Graduação de Saneamento Básico e Ambiental. Diretor da ABRATT da qual foi fundador e é Past Presidente, tendo também atuado por sete anos no board da ISTT Associação Internacional de Métodos não Destrutivos.

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