Valorização dos mercados regionais e a defesa de um projeto de País

A evocação da memóriado presidente JK, a entregado diploma “Flavio Miguez de Mello”às empresas premiadas,a homenagem às engenheirasdo País e os discursos reivindicando atenção dos governantes aos protestos das ruas marcaram a festa anual da engenharia promovida pela revista O Empreiteiro

A Engenharia brasileira viveu outro momento considerado histórico no evento realizado pela revista O Empreiteiro, em São Paulo (SP), este mês (agosto), quando reuniu mais de 700 empresários e lideranças setoriais no lançamento da edição 500 Grandes da Construção (OE 521) que publicou, também, o Ranking da ­Engenharia Brasileira de 2013.

Esse tipo de encontro foi iniciado no começo dos anos 1970 e, de lá para cá, tem marcado e agitado todos os segmentos da engenharia. A cada ano, ele vem permitindo uma reflexão ampla sobre a participação das empresas da Construção e da Engenharia no crescimento do País, com a constatação de que, sem elas, a infraestrutura brasileira não se viabilizaria.

Antes da instalação dos trabalhos, um vídeo, com imagens da construção de Brasília e do presidente JK, que desafiou e venceu todas as adversidades geográficas, políticas e econômicas para transferir a capital da República do Rio para o cerrado, provocou admiração e perplexidade pelas lembranças que despertou no público.

Outras imagens deram a dimensão da história da revista, que ao longo de 52 anos vem registrando os fatos mais marcantes da engenharia brasileira na construção de usinas hidrelétricas, rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, telecomunicações e obras da Petrobras em terra e no mar, e que agora parte para enfrentar outra aventura inusitada: a exploração do pré-sal.

Ao abrir os trabalhos, Joseph Young, diretor editorial de O Empreiteiro, alertou para a necessidade da continuidade daquela história – a construção da infraestrutura do País — porque sem ela o crescimento se frustra e as atividades produtivas ficam sem as condições para se expandir. Disse ele: “A infraestrutura sempre esteve e sempre estará ligada à qualidade de vida. Onde há infraestrutura funcionando, a qualidade de vida sobe e aumenta a autoestima das populações. Já onde ela falha, Deus me livre!”.

Ele mostrou que, até independentemente, às vezes, do governo federal, estados e municípios, contando com a participação da iniciativa privada e da força das novas fronteiras econômicas, têm encontrado caminhos próprios para sair do marasmo e se desenvolver.

Citou exemplos que buscou em Imperatriz, no Maranhão, que abre espaço para um polo de celulose; a diversificação industrial que toma conta do entorno de portos como o Pecém (CE), Suape (PE), Camaçari (BA) e outras áreas, como o Rio de Janeiro, que vem procurando consolidar a indústria naval em apoio à indústria petrolífera.

Contudo, continuou a bater na tecla de que a história da Engenharia brasileira deve ser articulada com outras histórias e outros segmentos de atividades, enfatizando que somente com um projeto de Nação o Brasil reencontrará o seu caminho — talvez o caminho assinalado pelo presidente Juscelino Kubitschek, que imaginou acelerar, em cinco anos, o que o Brasil poderia construir em 50.

Em três décadas, três vezes

O segundo discurso do evento – aquele que encerrou os trabalhos – foi feito pelo engenheiro Cyro Laurenza, consultor e ex-presidente do Sinaenco e da Fepasa. Ele lembrou os 52 anos da revista e o trabalho realizado pelo diretor editorial, Joseph Young, e pelo editor, Nildo Carlos Oliveira, ressaltando: “Existe uma coincidência do ano da fundação da revista, que acompanho desde seus primeiros momentos, mais tarde me tornando particular amigo e admirador dos dois. Essa coincidência existiu com meu início profissional como engenheiro civil; antes disso eu era agrimensor”.

Cyro lembrou as passeatas pacíficas de junho último, nas ruas brasileiras, interpretando-as como uma agradável surpresa, pois imaginava “que nosso povo não tomava mais conhecimento dos equívocos de séculos que o Brasil carrega em sua triste história de políticas públicas erradas.”

Para sua surpresa, o “gigante adormecido” do hino brasileiro não estava assim, tão abulicamente entregue ao sono. Tanto é, que despertou. E lembrou que as ruas, “em sua simplicidade, mas com autoridade, exigiram com ênfase a mobilidade aguardada há anos como aquela necessária entre cidades ou mesmo entre estados”.

Ele criticou os que se encontram acomodados: “Uma pena não termos mais coragem de reclamar em público, somente entre amigos, dos tantos problemas que ocorrem em nossa República e que, de múltiplas formas, invadem nossos escritórios, nossos canteiros de obras, os bancos universitários, a nossa segurança pessoal e econômica, nossos gastos e, sem dúvida, a nossa renda”.

Disse que nas últimas três décadas, por três vezes, a sociedade brasileira interveio decididamente na política, com boas lideranças, para mudar o rumo das coisas: em 1984, com o Movimento das Diretas-Já; em 1994, com o Plano Real, vencendo a inflação e, em 2002, com a adoção da inclusão social e da luta contra a miséria.

Ele lembrou, no discurso, a seguinte frase do engenheiro e professor Roberto Zuccolo: “O instrumento maior do desenvolvimento é a engenharia; sem desenvolvimento, a engenharia fica empobrecida”.

O patrono da premiação: Flavio Miguez de Mello

A sessão da premiação distinguiu diversas empresas de engenharia que foram objeto de cuidadosas análises realizadas durante a elaboração do Ranking da Engenharia Brasileira. Elas receberam uma placa honorífica cunhada com o nome do engenheiro Flavio Miguez de Mello.

Ele é graduado em engenharia civil pela ENE/UB (Poli-UFRJ) com ênfase em hidráulica, pós-graduado (MSc) em geologia pela UFRJ, &ec
irc;nfase em mecânica de rochas; com treinamentos no USArmyCorpsofEngineers, US Bureau of Reclamation, Chas T. Main, IECO, LNEC, Hydro Quebec e IPT, visitas técnicas a obras hidráulicas em 26 países e com participação técnica em 57 empreendimentos hidroelétricos no Brasil, na África e na Europa, Flavio continua o seu trabalho de professor na Escola Politécnica da UFRJ e diretor técnico da Brazil Hydropower. Ao longo de muitos anos ele atuou como presidente do Comitê Brasileiro de Grandes Barragens.

As empresas premiadas, por categoria,no ranking, são as seguintes:

Construção: Dimensional, Engesa, Via Engenharia, Racional, Carioca, Toda, Melnick Even, Mascarenhas Barbosa, CR Almeida, Toniolo Busnello, Dois A, Sertenge e Odebrecht.

Montagem: EBSE, Arclima, Milplan, Qualienge e UTC.

Projetista: CNEC – WorleyParsons, ATP Engenharia, ECM, Guimar, KTY, Reta Engenharia e Engevix.

Serviços Especiais: Codeme, Concrejato, Emac, L. A. Falcão Bauer e Mills.

Mulheres na engenharia

A novidade desta edição do evento foi a homenagem a sete mulheres que têm se destacado na área de engenharia. O ato, simbólico, constituiu uma homenagem a todas as engenheiras brasileiras que vêm ampliando espaço, nas diversas modalidades dessa profissão.

As engenheiras homenageadas foram: Liedi Bariani Bernucci, Suely Bacchereti Bueno, Iria Lícia Oliva Doniak, Olgarita Prado Godoy Riviera, Maria Beatriz Hopf Fernandes, Liliam Maria Torresan Valentin e Rosana Tiba. (ver matéria sobre as engenheiras nesta edição).

Entidades apoiadoras

Sinicon (Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada), Abemi (Associação Brasileira de Engenharia Industrial), Sinaenco (Sindicato da Arquitetura e da Engenharia), Cbic (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), Sinduscon de SP/BA/CE/DF/PE/MG (Sindicato da Indústria da Construção Civil), Sinicesp (Sindicato da Indústria da Construção Pesada do Estado de São Paulo), Aeerj (Associação das Empresas de Engenharia do Rio de Janeiro), Instituto de Engenharia de São Paulo, Clube de Engenharia do Rio de Janeiro, Abece (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural), Sindicon (Sindicato Nacional das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto), Asbea (Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura) e Abdib (Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base).

Fonte: Revista O Empreiteiro

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