O mercado de construção industrializada teve crescimento nos últimos anos, mas possui potencial de avançar ainda bastante. É o que pensa executivos de entidades que atuam no segmento, que falaram sobre o tema nesta quinta (16), em encontro virtual realizado para apresentar a 2º Modern Construction Show, que acontece de 29 de setembro a 1º de outubro, no Distrito Anhembi, em São Paulo (SP). O evento é realizado pela Francal.
“Existem fundamentos para o crescimento da industrialização da construção, principalmente com a redução das taxas de juros, manutenção dos investimentos em infraestrutura e melhorias da reforma tributária”, diz Ulysses B. Nunes, presidente executivo da Associação Brasileira da Construção Metálica (ABCEM).
Ele lembrou que o segmento da construção industrializada pagava ICMS e o setor convencional, ISS. “Com a reforma tributária, isso acaba e os dois sistemas vão estar no mesmo nível de impostos, o que vai ajudar na competitividade”, avaliou.
O executivo apontou a falta de mão de obra e necessidade de ser sustentável como impulsionadores da industrialização na obra: “Transformação irreversível”.
Mas Ulysses reconhece que o segmento não tem crescido na velocidade que se quer. “Mas tanto as construtoras como a incorporadoras vêm entendendo essas necessidades”, disse.
A construção metálica já tem ocupação forte nos setores de papel e celulose e de petróleo. “O volume de estrutura metálica é muito grande (nesses setores). Neste caso a gente tem escala de produção, o que provoca um preço extremamente competitivo”, afirmou.
“Mas a grande oportunidade é a construção civil residencial dos grandes edifícios. É um segmento de campo aberto para utilização de estrutura metálica ou mista”, disse.
Elementos de concreto
A opinião é compartilhada Fernando Canova, coordenador da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (ABCIC). “A nossa fronteira de expansão são edifícios altos e construção habitacional. A gente verifica que a construção habitacional ainda representa um percentual baixo de utilização de estruturas pré-fabricadas de concreto”, avaliou.
Segundo Fernando, a indústria de estruturas pré-fabricadas em concreto está com ocupação acima de 70%, o que é um índice muito positivo.
“Já temos atuação consolidada em mercados de centros de distribuição, centros comerciais, shopping centers”, ressaltou.
O Índice Geral de Industrialização da Construção (IGIC), elaborado a partir da Sondagem da Construção da Fundação Getúlio Vagas e apresentado no evento virtual, apontou que ele passou de 14,8 pontos – registrado em 2025 – para 15,7 pontos em 2026. O principal movimento veio do aumento da parcela de empresas que utilizam sistemas construtivos industrializados, de 26,4% para 33,6%.
Entre as soluções e materiais industrializados para obras estão drywall, pré-fabricados de concreto, estruturas em aço, painéis cimentícios, steel frame e fachadas pré-fabricadas.
O 2º Modern Construction Show tem a programação voltada a debater os temas em torno da construção industrializada, incluindo produtividade, tecnologia, sustentabilidade, novos sistemas construtivos e inovação.





