As obras de duplicação da **BR-101 Norte, no trecho que atravessa os estados do Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, já ultrapassaram 50% de execução. Iniciada em 2006, a intervenção integra o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e tem previsão de entrega para abril de 2010.
Considerada uma das principais rodovias do país, a BR-101 possui 4.517 km de extensão, ligando o município de Touros, no Nordeste, até Rio Grande, no Sul do Brasil. Ao longo de seu percurso, a rodovia conecta importantes capitais como Natal, João Pessoa, Recife, Maceió, Aracaju, Vitória, Rio de Janeiro, Santos e Florianópolis.
Pavimentação em concreto será pioneira em rodovia federal
O trecho da BR-101 no Nordeste foi dividido em três lotes principais, totalizando 142,5 km de obras dentro de um segmento de 380 km da rodovia.
A intervenção será a primeira rodovia federal brasileira pavimentada em concreto, tecnologia que oferece maior durabilidade e resistência ao tráfego pesado.
A estimativa é utilizar:
- 280 mil toneladas de cimento Portland
- 239 mil m³ de concreto nas placas de pavimento
Esse volume de concreto equivale aproximadamente ao utilizado na construção de sete estádios do Maracanã.
Exército Brasileiro participa da execução das obras
O Exército Brasileiro, por meio do 1º Grupamento de Engenharia, é responsável pela execução de parte das obras nos lotes 1, 5 e 6.
Entre eles, o trecho mais avançado é o Lote 5, localizado na Paraíba, com:
- 54,9 km de extensão
- 52% das obras concluídas
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Outros trechos em andamento incluem:
- Lote 1 (Rio Grande do Norte) – 46,2 km e 47% executados
- Lote 6 (Pernambuco) – 41,4 km e 37% executados
No estado de Pernambuco, a duplicação prevê ainda a recuperação de 180 km da rodovia, incluindo 60 km na Região Metropolitana do Recife.
Desapropriações e licenciamento impactam cronograma
A duplicação do trecho entre a divisa da Paraíba e o município de Igarassu enfrenta desafios relacionados principalmente a:
- desapropriações de terrenos
- relocação de moradores
- licenciamento ambiental
- remoção de infraestrutura urbana (postes, redes de água e esgoto)
Esses fatores impactam diretamente o ritmo de avanço das obras.
Cerca de 1.200 militares atuam nos trabalhos de campo, em jornadas de oito horas diárias, de segunda a sábado.
Obras de recuperação avançam na Bahia
Além da duplicação no Nordeste, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) concluiu o processo licitatório para recuperação e manutenção de 161 km da BR-101 no estado da Bahia.
O investimento total será de R$ 59,8 milhões, dividido em dois lotes:
- Lote 1: Ubatã (km 444) até Buerarema (km 541) – 97 km, com investimento de R$ 36,3 milhões
- Lote 2: Entroncamento da BA-678 até Lombardia (km 662) – investimento de R$ 23,5 milhões
As obras integram o Programa Integrado de Revitalização (PIR-IV) e têm previsão de início na segunda quinzena de novembro.
Monitoramento ambiental e relocação de famílias
Segundo o superintendente regional do DNIT na Paraíba, Expedito Leite da Silva, as obras incluem ações rigorosas de monitoramento ambiental.
Entre as medidas adotadas estão:
- preservação de espécies da fauna e flora
- identificação de sítios arqueológicos
- desapropriação e reassentamento de famílias que ocupavam a faixa de domínio da rodovia
Até o momento, 174 famílias foram relocadas no âmbito do programa de reassentamento.
As atividades são conduzidas com apoio do Centro de Excelência em Engenharia de Transportes (Centran/NE), instituição criada em parceria entre o Ministério dos Transportes e o Exército Brasileiro.
Curiosidades sobre a BR-101
- A BR-101 é uma rodovia longitudinal translitorânea, integrante da Rodovia Pan-Americana
- Seu nome oficial é Rodovia Mário Covas
- A pavimentação do trecho Nordeste utilizará cerca de 5 milhões de sacos de cimento
- O volume de concreto aplicado na rodovia seria suficiente para construir 22 pistas do Aeroporto Internacional de Brasília
Importância estratégica da rodovia
A duplicação da BR-101 no Nordeste é considerada uma obra estratégica para o desenvolvimento logístico do país, pois melhora a segurança viária, reduz custos de transporte e fortalece a integração entre os estados da região.




