Planejado para abrigar até 17 edifícios verticais e três subestações com 600 MW, o Campus Tamboré, da Scala Data Centers, em Barueri (SP) — considerado um dos principais do setor da América Latina e um dos maiores do mundo — está avançando no projeto de expansão de sua capacidade.
Com mais de 220 mil m² de área total e cerca de 150 mil m² já edificados, o complexo já possui dez prédios construídos, sendo oito em operação. “Hoje temos dez edifícios construídos, três subestações energizadas e uma infraestrutura preparada para novas expansões conforme a demanda do mercado”, afirmou Carlos Nomura, head de Construção da Scala Data Centers.
Durante as fases iniciais de implantação, o canteiro de obras reuniu cerca de 3.500 trabalhadores, além de mobilizar fornecedores, empresas de engenharia e prestadores de serviços especializados.
A empresa aposta em uma engenharia própria e soluções customizadas. A adoção de sistemas construtivos modulares e industrializados também contribui para reduzir prazos e aumentar a previsibilidade das obras.
Outro destaque do Campus Tamboré, é que os clientes utilizam sistemas de resfriamento a ar, com uma infraestrutura preparada para incorporar tecnologias de resfriamento líquido, tendência associada a ambientes de alta densidade computacional – como é o caso dos data centers.
Ainda de acordo com a companhia, toda a energia consumida pela empresa é proveniente de fontes renováveis contratadas por meio de parques eólicos e solares. A companhia também busca certificações internacionais de desempenho ambiental.
Fundada em 2020, a Scala Data Centers atua no Brasil, Chile, Colômbia e México, atendendo principalmente clientes hyperscale e edge. No país, além do complexo em Barueri, a empresa está construindo uma cidade de data centers em Eldorado do Sul (RS).
PROJETO NO RIO GRANDE DO SUL REFLETE A CORRIDA POR DATA CENTER
Em desenvolvimento na região metropolitana de Porto Alegre, em Eldorado do Sul, a Scala AI City terá capacidade inicial de 54 megawatts (MW) de TI, mas foi planejada para alcançar até 4,75 gigawatts (GW) em sua configuração final. O projeto está sendo construído em uma área que poderá chegar a 10 milhões de m².
Um dos marcos recentes para a implantação do complexo ocorreu em maio de 2025, quando o Ministério de Minas e Energia autorizou a conexão de 5 GW à rede elétrica. O empreendimento será instalado próximo à subestação Guaíba 3, infraestrutura que oferece condições para suportar a expansão prevista para os próximos anos.
Além da energia, fatores como disponibilidade de áreas para crescimento, segurança regulatória e condições climáticas também influenciaram a escolha do município gaúcho. O terreno destinado ao projeto foi enquadrado como distrito industrial voltado à instalação de data centers, criando um ambiente favorável para investimentos de longo prazo.
Outro aspecto relevante, é que no Scala AI City a infraestrutura foi projetada para operar com sistemas de resfriamento líquido e suportar racks com densidade superior à encontrada em instalações tradicionais.
O novo campus também será integrado ao data center que a Scala mantém em Porto Alegre e deverá se conectar futuramente ao cabo submarino Malbec, que interliga Brasil e Argentina. A expectativa é ampliar a capacidade de transmissão de dados e fortalecer a inserção da região em rotas internacionais de conectividade.
Nova York suspende aprovação de datacenters
Cresce a oposição das comunidades à construção de data centers nos EUA. Nova York decretou moratória na aprovação de novos projetos desses empreendimentos e vai realizar estudos sobre o impacto nas redes de energia e no uso de recursos hídricos.
A suspensão do governo de Nova York tem validade de um ano e impede a aprovação de novas licenças ambientais para instalações com potência de 50 megawatts ou mais.
Conheça Carlos Nomura

Carlos Nomura atua há mais de 38 anos na cadeia da construção civil e instalações. Iniciou a carreira na área de projetos de instalações elétricas e na área de Automação Industrial, com foco em programação de PLC. Atuou também fora do país, por 5 anos no Japão, onde trabalhou em projetos de instalações elétricas participando da execução de hangares, usinas de beneficiamentos de materiais, edifícios comerciais e indústrias diversas.
Custos ainda são o principal desafio para novos investimentos no Brasil
O Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata) foi sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 15 de setembro. O programa concede incentivos fiscais para estimular a instalação, ampliação e modernização de centros de processamento de dados no Brasil. O texto suspende a cobrança de Imposto de Importação na aquisição de equipamentos destinados aos empreendimentos.
Executivos da área avaliam que o Brasil reúne condições favoráveis para ampliar sua participação no mercado global de infraestrutura digital e inteligência artificial. A disponibilidade de energia renovável em larga escala e a extensa rede de fibra óptica aparecem entre os principais atrativos. No entanto, especialistas apontam que a competitividade do país dependerá da definição de regras e, principalmente, da redução dos custos operacionais e tributários.
A expansão dos data centers tem impulsionado resultados de fornecedores globais do setor. Na Schneider Electric, por exemplo, a atividade foi um dos destaques do desempenho registrado no primeiro trimestre em diferentes regiões, incluindo América do Norte, Europa, China e Austrália. Globalmente, os centros de dados respondem por cerca de um quarto da receita da companhia.
Além da expectativa em torno do Redata, representantes do setor defendem outras medidas para reduzir o custo de implantação de novas estruturas. Entre as propostas em discussão estão a diminuição do ICMS incidente sobre equipamentos de tecnologia da informação e comunicação e a revisão das alíquotas de importação aplicadas a itens como servidores e semicondutores.
A reforma tributária também é vista como um fator potencialmente favorável ao segmento. O novo modelo permitirá a compensação de tributos pagos por meio do IBS e da CBS, mas seus efeitos serão graduais, já que a transição está prevista para começar apenas em 2027.
Dados da Brasscom mostram que a capacidade instalada dos centros de processamento de dados no Brasil alcançou 1,063 GW ao final de 2025. Em um cenário de aceleração dos benefícios tributários previstos, a associação estima que esse volume possa atingir 3,144 GW até 2031, acompanhado de investimentos da ordem de US$ 92 bilhões.
No cenário internacional, os principais mercados de data centers permanecem concentrados nos Estados Unidos, na China e na Europa, especialmente nos polos de Frankfurt, Londres, Amsterdã, Paris e Dublin. Outros países também disputam novos investimentos no setor, entre eles Índia, Canadá, Austrália, Malásia e Indonésia. Na América Latina, México e Chile aparecem entre os concorrentes mais relevantes na atração de projetos de infraestrutura digital.



