Operação fazia parte de aumento de capital de R$ 600 milhões e ocorreu em meio à concentração dos investimentos da companhia nos dois grandes projetos portuários do Rio de Janeiro.
A LLX Logística anunciou um aumento de capital de R$ 600 milhões com participação de R$ 150 milhões do BNDESPar, braço de participações societárias do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
A operação ocorreu em um momento de reestruturação dos investimentos da companhia, então controlada pelo empresário Eike Batista, que havia decidido concentrar seus recursos nos projetos do Porto do Açu, em São João da Barra (RJ), e do Porto Sudeste, em Itaguaí (RJ).
Com o aporte, o BNDESPar passaria a deter 12% do capital da LLX.
Segundo Ricardo Antunes, então presidente da companhia, os recursos contribuiriam para assegurar a continuidade dos investimentos necessários aos dois empreendimentos portuários.
Aumento de capital da LLX chegava a R$ 600 milhões
Além dos R$ 150 milhões aportados pelo BNDESPar, os então acionistas Eike Batista e o fundo canadense Ontario Teachers’ Pension Plan Board (OTPP) se comprometeram a desembolsar R$ 312 milhões.
O valor poderia aumentar dependendo da participação dos acionistas minoritários no aumento de capital.
Naquele momento, Eike Batista detinha 57% da LLX, enquanto o OTPP possuía 19% e os acionistas minoritários concentravam os 24% restantes.
Caso os minoritários exercessem integralmente seus direitos de aquisição de novas ações, a participação de Eike poderia ser reduzida para aproximadamente 49%, segundo as projeções apresentadas na ocasião.
Crise financeira mudou estratégia de captação
As negociações com o BNDESPar haviam começado aproximadamente um ano e meio antes do anúncio, portanto antes do agravamento da crise financeira internacional de 2008.
A LLX também havia considerado realizar uma oferta pública de ações para captar recursos no mercado.
Com a deterioração das condições financeiras globais, entretanto, essa alternativa perdeu espaço.
Segundo Ricardo Antunes, a companhia passou naquele período por uma revisão de sua estratégia e disciplina financeira.
A necessidade de concentrar capital nos projetos considerados prioritários levou a LLX a rever seu portfólio de investimentos.
LLX abandonou projeto do Porto Brasil em São Paulo
Uma das principais mudanças ocorreu em outubro do ano anterior, quando a empresa anunciou o cancelamento do Porto Brasil, empreendimento que estava previsto para Peruíbe, no litoral sul de São Paulo.
Com a retirada do projeto da carteira, a necessidade estimada de investimentos da LLX caiu de aproximadamente US$ 3,9 bilhões para US$ 2 bilhões, de acordo com os números divulgados pela companhia naquele período.
A estratégia passou então a priorizar os portos do Açu e Sudeste, ambos no estado do Rio de Janeiro.
A decisão mostra como a crise financeira internacional interferiu diretamente no planejamento de grandes projetos brasileiros de infraestrutura.
Porto Sudeste previa investimento de US$ 380 milhões
Localizado em Itaguaí (RJ), o Porto Sudeste estava, naquele momento, programado para iniciar sua construção em setembro daquele ano.
O projeto previa investimento de aproximadamente US$ 380 milhões pela LLX.
A capacidade inicialmente projetada era de 25 milhões de toneladas de minério de ferro por ano, com início das operações previsto para o segundo semestre de 2011.
A companhia também estudava naquele momento elevar a capacidade futura para 50 milhões de toneladas anuais.
Esses números correspondem às projeções existentes na época do anúncio e não devem ser interpretados como a configuração posteriormente alcançada pelo empreendimento.
Porto do Açu previa investimento de US$ 1,6 bilhão
O maior dos projetos era o Porto do Açu, em São João da Barra, no Norte Fluminense.
As obras haviam começado em outubro de 2007.
Na época da entrada do BNDESPar na LLX, o empreendimento tinha investimento previsto de aproximadamente US$ 1,6 bilhão.
O projeto apresentado naquele período previa capacidade para movimentar 63 milhões de toneladas de minério de ferro por ano, além de aproximadamente 30 milhões de toneladas anuais de outros produtos.
Entre as cargas consideradas estavam produtos siderúrgicos, carvão e granéis líquidos.
O projeto fazia parte de uma concepção mais ampla de complexo portuário e industrial, estruturado para conectar instalações portuárias a diferentes atividades produtivas.
Açu e Porto Sudeste marcaram novo ciclo da infraestrutura portuária
O aporte do BNDESPar ocorreu em um momento particularmente importante para a implantação dos dois projetos.
A crise financeira internacional havia reduzido a disponibilidade de capital e obrigado empresas responsáveis por grandes empreendimentos de infraestrutura a rever cronogramas, fontes de financiamento e prioridades.
No caso da LLX, a resposta foi abandonar o projeto de Peruíbe e concentrar recursos em dois grandes ativos portuários fluminenses.
O aumento de capital de R$ 600 milhões, com participação do BNDESPar, tornou-se assim parte da estrutura financeira utilizada para sustentar essa estratégia.
Vistos em perspectiva histórica, Porto do Açu e Porto Sudeste também representam a escala alcançada pelos projetos de infraestrutura logística concebidos no Brasil naquele período, especialmente aqueles relacionados ao escoamento de minério de ferro e à integração entre mineração, indústria e infraestrutura portuária.




