Morre Jorge Wilheim, um pensador do urbanismo brasileiro

Texto: Nildo Carlos Oliveira

Uma surpresa e um golpe provocado pelo sentimento de perda no cenário da inteligência do urbanismo brasileiro. Essa, a sensação ocasionada pela notícia de que o arquiteto Jorge Wilheim, 85 anos, morreu na madrugada desta sexta-feira, no Hospital Albert Einstein, nesta capital. Sabia-se que ele estava internado naquele hospital desde dezembro de 2013, vítima de um acidente de carro. Mas, o impacto da informação de que falecera, deixa aturdidos todos os que privavam de sua inteligência e de sua análise, em especial nas matérias de seu domínio: arquitetura e urbanismo.

Homem culto, preparado, de origem italiana, o arquiteto Wilheim elaborou diversos projetos para São Paulo e para outras regiões do País. Entrevistei-o algumas vezes, uma delas quando ele desenvolveu o projeto do Parque de Exposições do Anhembi. Sua idéia, na época desse projeto, aliava o Centro de Exposições a um hotel, que ali ficou inconcluso, no esqueleto, durante muitos anos. Homem público, pautou as atividades que lhe eram inerentes com muita eficiência e levando em conta, acima de tudo, os interesses da cidade e o respeito para com a sua população.

Ainda recentemente o entrevistei para a edição 510 (julho de 2012) da revista O Empreiteiro e quero reproduzir alguns dos trechos da matéria então publicada:

“… vivemos um período de transição histórica. E, nessa linha de transição, vejo que está ocorrendo há duas ou três décadas, uma série de rupturas tanto na maneira de produzir quanto nos costumes da sociedade”.

“O que está ocorrendo é que vem se configurando uma nova geografia, assim como uma nova cultura dentro de uma nova economia”.

“Hoje, as metrópoles são mais do que metrópoles: são macrometrópoles”.

“O mundo financeiro se afastou da economia das cidades criando um castgelo de cdartas que ruiu em 2008”.

“Prevalece hoje o pensamento de Jean Jacques Rousseau, segundo o qual o interesse público não é a mesma coisa que o interesse de todos”.

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