MT: Estudo sobre impactos de obras de infraestrutura e logística é apresentado

Os representantes das entidades parceiras que compõem o Movimento Pró-logística apresentaram naúltima quinta-feira (20.08) em coletiva, o estudo técnico que considera fatores e os benefícios socioeconômicos e ambientais por meio da viabilização dos projetos prioritários de infraestrutura de logística para Mato Grosso.

De acordo com o coordenador do Movimento e consultor da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja/MT), Edeon Vaz Ferreira, as conversas com os Ministérios e as agências federais ligadas aos modais de transportes já foram iniciadas. A meta é acelerar em 2010 a disponibilização de recursos, acompanhar de perto o andamento de processos licitatórios e das licenças ambientais destes projetos. “No caso da Ferrovia Centro-Oeste (novo nome dado a Leste-Oeste), por exemplo, em conversa com o presidente da Valec Engenharia, Construções e Ferrovias S.A – vinculada ao Ministério dos Transportes -, José Francisco das Neves, foi confirmado que já existe recurso para viabilizar o traçado de Uruaçu (GO) até Lucas do Rio Verde (MT), e para chegar até Vilhena (RO). Faltará fazer o levantamento de reservas indígenas e de áreas de proteção ambiental”, explica.

Para o coordenador da Comissão de Logística e vice-presidente Leste da Aprosoja/MT, Marcos da Rosa, as entidades integrantes do Movimento irão também assumir o papel de acompanhar o andamento e a execução das obras que constam no estudo técnico. “Iremos estar atentos à aplicação dos recursos e pressionar para que tudo aquilo que for acordado e aprovado saia do papel, e que acima de tudo, se tenha qualidade, já que estamos pleiteando tanto obras com previsão de conclusão em curto e médio prazos, quanto de obras que demandam tempo, em média de 10 a 15 anos, como é o caso da hidrovia Teles-Pires Tapajós. Por isto a necessidade de agenda e ações estratégicas”.

O presidente da Aprosoja/MT Glauber Silveira, destaca que os investimentos em logística de transporte são cruciais para levar a produção agrícola do estado à competitividade frente aos grandes produtores mundiais. “Queremos chamar a atenção e propor soluções para deficiências logísticas e, ao mesmo tempo, para as oportunidades que podem surgir com a implantação de novos projetos nessa área. A logística precisa mais do que nunca avançar na mesma velocidade em que a demanda mundial por Mato Grosso avança. Não é possível esperar, pois logo, não haverá condições de dar vazão a um estado que pode ampliar em 50% a produção, sem derrubar uma árvore sequer, apenas reaproveitando áreas de pastagem degradadas e outras que hoje estão subutilizadas”.

O diretor da Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (FIEMT), Gustavo de Oliveira, frisou o quanto o custo desembolsado em virtude da falta de investimentos em logística é oneroso para todos do setor produtivo. “Se já é uma situação impraticável para a exportação dos produtos estaduais, imagina para comprar insumos. Um dos graves problemas é que, em todo o país, a infraestrutura do governo chega depois das ações da iniciativa privada, e se Mato Grosso é hoje o sexto maior exportador do país, muito se deve à classe produtiva, à audácia e coragem dos empresários. Portanto, vejo como fundamental essa união de forças e o grande desafio é trazer o governo conosco. Com isso, além do desenvolvimento econômico, teremos também um amplo ganho social”.

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Rui Prado, destacou a importância do investimento nas obras para a sociedade mato-grossense. “Quando tivermos um sistema de transporte eficiente, todos os setores serão beneficiados com a redução nos custos dos produtos, ocasionados pela diminuição do valor do frete. Isso beneficiará diretamente todos os cidadãos mato-grossenses que poderão adquirir produtos, como os eletrodomésticos, por um preço menor.

Isso significará mais dinheiro no bolso dos trabalhadores, dos comerciantes, empresários, produtores rurais, em fim, toda comunidade será beneficiada”. Prado completou ao falar da importância da multimodalidade dos transportes, com a implantação de um sistema integrado de rodovias, ferrovias e hidrovias. “Há séculos atrás, países como Portugal se desenvolveram através da navegação. Aliás, foi navegando que eles chegaram ao Brasil. Nós precisamos trazer isso para a nossa realidade” frisou.

Já o presidente da Frente Parlamentar de Logística de Transportes e Armazenagem (Frenlog), deputado federal Homero Pereira (PR), afirmou que recursos não são o problema para impulsionar obras de infraestrutura estratégica para Mato Grosso. A dificuldade, segundo ele, é a legislação ambiental brasileira. A demora para se obter um licenciamento e enfrentar embargos judiciais tem sido um ônus muito caro pago pela sociedade. Um exemplo disso é o custo que o governo federal deverá desembolsar para escoar milho de Mato Grosso aos portos. Cerca de R$ 1,5 milhão para três milhões de toneladas por falta de armazenagem.

De acordo com o presidente da Frente, o movimento iniciado em Mato Grosso terá junto a Frenlog uma aliada forte politicamente. “Vamos acompanhar os processos e projetos, exercer a pressão legítima de cobrar do governo o cumprimento dos compromissos com a logística brasileira.
E Mato Grosso sendo um fomentador desse movimento, que deverá refletir em outros estados como Pará, Acre, Goiás, Rondônia entre outros”, observou.

“A Acrimat participa desse movimento pela sua importância para o desenvolvimento desse estado. Hoje não temos logística para escoar nossa produção. A carne produzida em Mato Grosso para ser exportada tem que chegar aos portos de Santos e Paranaguá, o que torna nosso produto menos competitivo. O setor produtivo evoluiu a 120 por hora, enquanto que a infraestrutura caminha a 10 por hora. É histórica a desvantagem que os produtos mato-grossenses levam pela falta de estrada e outros modais de transporte.

Nossa expectativa é que com a união de todo setor produtivo o processo de implantação desses modais seja acelerado e essa desvantagem diminua. Por isso acredito que esse movimento é justo e legítimo”, destacou o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Mário Candia de Figueiredo.

“O Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Mato Grosso vai contribuir de forma ativa, fiscalizando essas obras pleiteadas por entender que possuem foco no social, econômico e no desenvolvimento de novos modais de escoamento. Até por que são do Sistema Confea/Crea os profissionais que desenvolverão esses estudos, projetos e construirão as obras. Atualmente, além da sede do Conselho em Cuiabá, temos 21 inspetorias e dois escritórios regionais espalhados pelo estado de Mato Grosso para realizar o serviço de fiscalização”, disse Rubimar Barreto, vice-presidente do Crea-MT.

Conforme o presidente da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), Gilson Ferrúcio Pinesso, a intenção da cotonicultura é propor ações que certamente mudarão o cenário social, econômico e, principalmente ambiental de Mato Grosso, dos Estados vizinhos, e que nos fazem divisas, e do Brasil. “Queremos, acima de tudo, como empresários rurais, que os projetos para implantar os modais, que facilitem e reduzam os custos de fretes, tornando os produtos do Estado competitivos em nível nacional e internacional, sejam concretizados para garantir o fomento do desenvolvimento agrícola brasileiro”.

Já o presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Pedro Ferreira de Souza, ressaltou a importância do Movimento Pró-Logística, que reúne entidades de vários segmentos e setores produtivos. “A união de forças objetiva o foco das discussões e a busca por soluções mais rápidas para os problemas que afetam o Estado, notadamente os municípios. Os gestores apóiam as iniciativas que estão de acordo com as necessidades dos munícipes. O movimento garante a mobilização para desenvolver ações conjuntas que visam a melhoria na infra-estrutura de transporte e no escoamento da produção agrícola de diferentes regiões de Mato Grosso”.

“O desenvolvimento do estado de Mato Grosso, em face da sua dimensão territorial, está estreitamente relacionado à existência de uma infraestrutura logística multimodal moderna, condição importante de competitividade para a sua produção”, afirma o diretor do Sistema Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Mato Grosso.

Fonte: Estadão

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