A destinação do lodo após tratamentos de água ou esgoto é considerada um desafio mundial no saneamento. No entanto, uma iniciativa que vem sendo implementada no projeto de ampliação da ETE CIC Xisto, em Curitiba, da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), pode ser a solução para este resíduo. A tecnologia, criada pela GEL – Goetze Lobato, mudou a gestão do lodo da estação que terá sua capacidade triplicada, passando de 490 l/s (litros por segundo) para 1.368 l/s de vazão. A metodologia, além de reduzir a geração de lodo e os custos operacionais, transforma o lodo em adubo, evitando assim a destinação para aterros sanitários.
O projeto, que foi premiado no 7º InovaInfra 2026, consiste na combinação de processos anaeróbios (sem necessidade de oxigênio no tratamento) com processos aeróbios (necessita de oxigênio), em cada reator, melhorando o processo de tratamento. A alternativa se divide em duas partes: em primeiro está na aplicação da tecnologia dos BRC (Biorreatores Combinados de Biofilme), somados aos BIOBOBs (biorreator combinado), que ocupa pouca área e gera apenas 25% do lodo que seria gerado se fosse adotada a solução tradicional. Além dessa combinação, foi incluída a criação de três unidades de jardins mineralizadores, conhecidos como Wetlands, para o tratamento do próprio lodo com o uso de plantas.
“Buscamos uma redução no custo operacional e consumo energético, ambos na ordem de 50%, e, o mais importante, a transformação do lodo em um resíduo que possa ser destinado para algum ativo ou até comercializado”, contou Guilherme Castro Goetze, gerente de Contratos da GEL, em entrevista durante o evento de premiação, que detalhou o processo:“A ETE tinha a previsão de gerar 40 toneladas de lodo por dia. Nós trouxemos uma tecnologia da empresa brasileira BIOPROJ, com a eficiência de tratamento que entrega 10 toneladas de lodo por dia, ou seja 75% de redução na geração de lodo. Isso possibilitou adicionarmos a segunda solução, os Wetlands. Nós juntamos as duas metodologias, a dinamarquesa e a brasileira, possibilitando assim reduzir a geração do lodo e ainda fazer a mineralização desse material, transformando-o em adubo ao invés de cinzas ou resíduos que vão para aterros sanitários”.
Marcelo Pimentel Bueno, diretor de Contratos da GEL – Goetze Lobato, acrescentou que a empresa já está estudando outras parcerias para a implementação desse sistema em outras unidades de tratamento. “O fundamental agora é operar, ver o desenvolvimento que ele vai ter, porque é um sistema que nunca foi aplicado nessas proporções, como é o caso da ETE Xisto”.
A estação em Curitiba está em fase de startup, início da pré-operação. Com este novo projeto, a ETE Xisto poderá ampliar a capacidade de tratamento dos dejetos de 435 mil pessoas para 778 mil pessoas.




