A nova geração de projetos da mineração entrou em uma fase decisiva de implantação e expansão. Empreendimentos de fosfato, potássio, terras raras e ouro avançam no Brasil e no exterior. Durante o Workshop Opex 2026, promovido pela revista Minérios & Minerales, parceira editorial da revista O Empreiteiro, empresas apresentaram a evolução das obras e os próximos passos de seus empreendimentos. Entre eles estão EuroChem e Galvani, em fosfato; St. George e Power Minerals, em terras raras; e PA Gold, Kinross e Jaguar Mining, em ouro. O cenário inclui ainda Autazes, da Potássio do Brasil.
EUROCHEM PREPARA SERRA DO SALITRE PARA ATINGIR CAPACIDADE PLENA EM 2027
A EuroChem trabalha para alcançar, em 2027, a capacidade instalada de 1 milhão de toneladas anuais de fertilizantes fosfatados no Complexo Serra do Salitre, no Triângulo Mineiro. As operações começaram em 2024 e o empreendimento recebeu cerca de US$ 1 bilhão em investimentos desde 2022, quando foi adquirido da Yara Fertilizantes.
Entre os avanços estão a instalação de oito colunas de flotação, a ampliação da planta de ácido sulfúrico e a produção contínua de NPK em um mesmo grânulo. Segundo a empresa, a recuperação de P2O5 aumentou seis pontos percentuais e cerca de 50% da energia consumida é gerada no próprio complexo.
A produção cresceu mais de 100% em 2025. A previsão para 2026 é de alta de aproximadamente 30%, seguida por novo crescimento em 2027, quando a operação deverá atingir a capacidade instalada.
GALVANI AVANÇA NA IMPLANTAÇÃO DO PROJETO DE FOSFATO EM IRECÊ
A Galvani prevê concluir até o fim de 2026 a implantação do Projeto Minério Primário de Irecê, na Bahia, para iniciar a operação no começo de 2027. Com investimentos superiores a R$ 500 milhões, o empreendimento está com mais de 60% da implantação concluída e terá capacidade para produzir 350 mil toneladas anuais de concentrado fosfático e 600 mil toneladas de corretivo agrícola.

O projeto utiliza concentração por calcinação a seco, eliminando a necessidade de barragem de rejeitos e reduzindo o consumo de água. O estéril será utilizado no preenchimento de áreas já mineradas. A unidade será integrada ao Complexo Industrial Luiz Eduardo Magalhães e atenderá principalmente mercados do Norte e Nordeste e o Matopiba.
TERRAS RARAS: ST. GEORGE AMPLIA RECURSOS E INICIA NOVA CAMPANHA EM ARAXÁ
A St. George Mining elevou em 75% a estimativa de recursos do Projeto Araxá, em Minas Gerais. O volume passou de 40 milhões para 70,91 milhões de toneladas, com teor médio de 4,06% de terras raras e 0,62% de nióbio. Uma estimativa adicional identificou 24,56 milhões de toneladas associadas ao nióbio, levando os recursos totais a aproximadamente 95 milhões de toneladas, sem dupla contagem.
O volume pode crescer com o Araxá Leste, que não fazia parte da estimativa de março de 2026. Levantamentos geofísicos indicaram a continuidade da mineralização, enquanto pesquisa de trado identificou mais de 13% de terras raras em amostras superficiais.
Sondagens por circulação reversa confirmaram a mineralização em superfície e profundidade.
A empresa prepara 10 mil metros de sondagem no Araxá Leste. Também desenvolve testes metalúrgicos, engenharia da futura planta, licenciamento e modelos econômicos. O projeto foi adquirido em 2024 e, até junho de 2026, acumulava mais de 17 mil metros de sondagem diamantada.
POWER MINERALS ACELERA SONDAGENS NO MORRO DO FERRO E PREVÊ IMPLANTAÇÃO ATÉ 2029
A Power Minerals iniciou nova etapa de pesquisa no Projeto Morro do Ferro, em Poços de Caldas (MG), com meta de avançar para a implantação até o fim de 2029. Considerado pelo Serviço Geológico do Brasil o maior depósito do país em recursos estimados de terras raras, apresenta teores médios de cerca de 5% de TREO.
As sondagens começaram em junho, com previsão de levantamentos geofísicos. O cronograma prevê engenharia no primeiro semestre de 2027, seguida por licenciamento e implantação. O início do comissionamento está previsto para 2028 e a conclusão da implantação para o fim de 2029.
OURO: P.A. GOLD INICIA SONDAGENS NO PROJETO SERTÃO E PREPARA NOVA OPERAÇÃO EM GOIÁS
A P.A. Gold iniciou nova campanha no Projeto Sertão, em Faina (GO), adquirido no início de 2026. O plano prevê mais de 20 mil metros de sondagem neste ano e nova campanha semelhante em 2027. A futura implantação está prevista para começar entre 2028 e 2029.
A iniciativa integra o plano de expansão da empresa e deverá responder por cerca de 50 mil onças anuais. Enquanto desenvolve o Sertão, a P.A. Gold amplia o Complexo Paraíba, em Peixoto de Azevedo (MT), que produziu 35 mil onças em 2025. A empresa iniciou neste ano uma mudança na rota de processamento para produção de bullion, com expectativa de acrescentar 10% à produção anual.
KINROSS AMPLIA RECUPERAÇÃO DE OURO EM PARACATU
A Kinross concluiu em 2024 a implantação de um circuito gravítico na operação de Paracatu (MG). O projeto elevou a recuperação global de ouro em cerca de 3% a 4% e acrescentou entre 19 mil e 22 mil onças anuais à produção.

O investimento foi de US$ 33,2 milhões e teve retorno em sete meses, ante estimativa inicial de dois anos. A participação da gravimetria na recuperação passou de 21% para 47%.
JAGUAR MINING RETOMA TURMALINA E PREPARA EXPANSÃO EM MINAS GERAIS
A Jaguar Mining retomou progressivamente as operações do Complexo Turmalina, em Conceição do Pará (MG), após concluir intervenções na estrutura de disposição de rejeitos que provocaram a suspensão das atividades.
A paralisação ocorreu após uma ruptura parcial da pilha Satinoco em dezembro de 2024. A companhia realizou a reconformação e estabilização da estrutura e implantou novos sistemas de monitoramento.

A estratégia de crescimento prevê aproximadamente 220 mil metros de sondagem nos próximos cinco anos. Outra frente é o Projeto Onça de Pitangui, a cerca de 30 quilômetros da planta de Turmalina, que prevê uma nova mina subterrânea, com recurso estimado próximo de 1 milhão de onças de ouro e início das atividades previsto para 2027.
POTÁSSIO: PROJETO AUTAZES AVANÇA PARA FASE DE CONSTRUÇÃO
O Projeto Autazes, da Potássio Brasil, terá capacidade para produzir 2,4 milhões de t de potássio por ano. Localizado a cerca de 160 km de Manaus e 8 km do Rio Madeira.
A proximidade com o rio permitirá o transporte da produção por barcaças. Aproximadamente US$ 270 milhões já foram destinados à exploração, estudos técnicos, aquisição de terras e processos de consulta. O investimento total estimado antes da operação é de US$ 2,5 bilhões.
Com a construção autorizada, os próximos passos estão concentrados na implantação da infraestrutura necessária para a futura operação, incluindo as estruturas de produção e o sistema logístico para escoamento do minério.
BHP PREPARA INÍCIO DA PRODUÇÃO DE POTÁSSIO NO CANADÁ PARA 2027
A BHP prevê iniciar em meados de 2027 a produção do Projeto Jansen, em Saskatchewan, no Canadá. Com investimento de cerca de U$D 10 bilhões, o empreendimento terá capacidade de aproximadamente 8,5 milhões de toneladas de potássio por ano.
Localizado a 140 quilômetros a leste de Saskatoon, Jansen é 100% controlado pela BHP. Futuras expansões podem elevar a produção para entre 16 milhões e 17 milhões de toneladas anuais. A BHP estima uma redução de 50% nas emissões operacionais por tonelada e de 60% no consumo de água doce.



