Com o objetivo de facilitar o escoamento de minério de ferro do Quadrilátero Ferrífero e aumentar a produção própria do produto, em Minas Gerais, a Cedro desenvolve atualmente três projetos de grande porte para atender o setor de mineração.
Um refere-se à expansão da sua mina de minério de ferro em Mariana (MG), com a implantação de um transportador de correia de longa distância (TCLD) de 19 km. O outro projeto é a criação do Porto do Meio, em Itaguaí (RJ). O terceiro e último trata-se da construção de uma short line ferroviária de 27 km no polo minerário de Serra Azul, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. As duas últimas iniciativas visam inicialmente atender a terceiros.
EXPANSÃO DA PLANTA DE MARIANA
A Cedro possui duas plantas ativas de mineração: uma em Nova Lima (MG) e outra em Mariana. Em Mariana, a companhia produz hoje 2 milhões de t de minério de ferro por ano, mas, com a expansão ela deve chegar a 5,5 milhões de t.
A empresa irá concentrar a produção, a partir do novo projeto, no minério de ferro de alta pureza, pellet feed, com teor acima de 67% Fe. O objetivo é atender o mercado que busca produto com emissão mais baixa de dióxido de carbono (CO²).
Fabiano Carvalho, vice-presidente comercial, de Estratégia e de Projetos da Cedro, explica que a iniciativa está em fase de licenciamento de expansão – com expectativa de recebê-la ainda neste segundo semestre – para iniciar a obra. O projeto de engenharia detalhado foi feito pela Ausenco em parceria com a Metso.
“A obtenção do licenciamento vai permitir estender a lavra e construir a planta”, afirma o executivo. No primeiro momento, a mineradora utilizará a unidade de beneficiamento existente na produção de minério, até que esteja concluída a nova planta, prevista de ser erguida em três anos.
A nova planta – com britagem, peneiramento, moagem, flotação e filtragem – será capaz de processar o itabirito, tipo de minério de ferro que deverá ser explorado pela Cedro com o aprofundamento da lavra em Mariana. “O itabirito é que vai alimentar a planta de pellet feed que vamos implementar”, ressalta Fabiano.
Um TLCD será instalado ligando a mina à Estrada de Ferro Vitória a Minas, na altura do Terminal de Fazendão, da Vale, em Mariana, para escoamento do minério de ferro. A chegada do produto à unidade da Vale não é por acaso. A mineradora já tem acordo fechado com a Cedro para compra de 100% do minério produzido em Mariana.
O executivo da Cedro ressalta que, além do licenciamento, a empresa está finalizando a estruturação de capital para obter o financiamento do projeto, com investimento previsto de US$ 650 milhões (R$ 3,5 bilhões).
Ainda sobre as plantas de mineração da Cedro, a companhia tem plano de alcançar a produção anual de 6 milhões de t de minério de ferro no site de Nova Lima. Com isso, no médio prazo, a empresa trabalha para alcançar uma produção total de 11 milhões de t na próxima década, a Cedro afirma querer chegar no ousado número de 20 milhões de t por ano.
PORTO DO MEIO
O projeto do Porto do Meio, da Cedro, tem esse nome porque localiza-se entre os terminais portuários de minério da Vale e da CSN, no complexo portuário de Itaguaí (RJ). No final de 2024, a empresa ganhou a licitação para explorar o terminal. No ano seguinte, a companhia fez os estudos de implantação da iniciativa.
Atualmente, conclui-se o projeto de engenharia básica feito pela Atkins e aguarda-se o licenciamento para início das obras. O porto, com um berço de 20 m de profundidade para receber navio minelareiro, terá capacidade inicial de 15 milhões de t de embarque de minério de ferro – mas o plano final é de a capacidade alcançar 28 milhões de t.
De acordo com Fabiano Carvalho, o projeto é considerado brownfield porque ele irá aproveitar várias estruturas já existentes no local, como o canal de acesso, o quebra-mar e o retroporto.
Além disso, a linha férrea da MRS, que já atende a CSN e a Vale, irá também atender o porto da Cedro. Será, no entanto, necessário construir uma pera ferroviária de cerca de 3 km para servir o novo terminal, além de viradores de vagões das composições de trem que irão trafegar no local.
A linha ferroviária da MRS se conecta com a região do Quadrilátero Ferrífero. A Cedro quer justamente aproveitar a malha ferroviária existente de ligação da região do polo ferrífero mineiro com o porto de Itaguaí, para oferecer às mineradoras atuantes no Quadrilátero Ferrífero uma alternativa de escoamento de produção. A empresa não descarta também usar o modal para escoar minério de suas plantas.
Marcus Santarém, diretor de implantação do Porto do Meio da Cedro, afirma que serão construídos 400 m de cais. No pátio de cerca de 220 mil m2, além dos viradores de vagões, serão implementados ainda duas empilhadeiras, duas recuperadoras e sistema de correia transportadora para levar o minério de ferro até o ship loader (carregador de navios) com capacidade de 16 mil t/hora.
“Tem um volume de dragagem para fazer em frente ao berço”, ressalta Santarém. Basicamente, segundo o diretor da Cedro, os trabalhos no porto se concentrarão em terraplenagem, dragagem, compra de equipamentos e instalação eletromecânica. Haverá ainda um pátio no local para estocagem com capacidade de 2,2 milhões t de armazenagem.
O diretor diz que serão implementados equipamentos modernos, com possibilidade de operação remota, atendendo às novas demandas do setor portuário. Além disso, prevê-se sistemas para reduzir a dispersão de minério e controle de poeira durante armazenamento e carregamento. “Os maiores cuidados tecnológicos que a gente vem tomando estão ligados à questão ambiental”, diz.
Este projeto já tem uma linha de crédito do fundo da Marinha Mercante, que representa quase 80% do recurso necessário para a sua construção. O investimento total é de US$ 800 milhões (R$ 4 bilhões). A previsão de início de operação é a partir de 2030.
SHORT LINE SERRA AZUL
Sobre a short line ferroviária, o projeto prevê seu trajeto percorrendo quatro municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte. A linha curta de trem iniciará em Mateus Leme, cruzando os municípios de Igarapé e São Joaquim de Bocas, até chegar a Mario Campos, conectando-se à malha existente da MRS.
O projeto pretende atender às mineradoras que operam no chamado polo de minério de ferro de Serra Azul. O vice-presidente da Cedro, Fabiano Carvalho, explica que o projeto prevê a construção de um terminal em Mateus Leme para receber minério de ferro de mineradoras que operam na região, como Usiminas e ArcelorMittal.
A proposta é construir transportador de correia de longa distância, a partir das mineradoras até o terminal, eliminando completamente o uso do modal rodoviário.
Em Igarapé, de acordo com o projeto, também será construído um pátio de recebimento de minério de ferro – nesta localidade opera a mineradora Morro do Ipê. Há outras empresas de mineração que podem ser atendidas pela short line, como a Comisa e a Minerita, cita o executivo.
“Este é um projeto de infraestrutura da Cedro e é para transportar minério de terceiros”, esclarece Fabiano. O investimento estimado é de US$ 300 milhões (R$ 1,5 bilhão).
O projeto básico da short line ferroviária Serra Azul foi desenvolvido pela JM Souto Engenharia e Consultoria. Atualmente, a Cedro conclui o Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA-Rima) da iniciativa. A companhia depende ainda de financiamento para executar o projeto.



