O Fluido de perfuração no HDD

Esta foto definitivamente me assustou. Embora se trate de uma perfuração vertical, o mesmo fenômeno mostrado nesse caso, ocorre no HDD, seja um furo de MINI HDD (até 300 mm e até 180 m de extensão), ou nas outras duas opções (MIDI e MAXI). A foto oferecida por um dos poucos engenheiros de fluidos de perfuração horizontal no Brasil, William R. dos Santos, deveria se transformar num “santinho” de cabeceira, do pessoal do HDD. Se esse fenômeno acontecer num FURO DIRECIONAL, você estará totalmente complicado, em prazo, em preço, se conseguir se livrar do problema.

O que está por trás da frase da PROVOCAÇÃO? Você pode furar sem fluido e ainda assim, conseguir, e terá economizado o valor do fluido. Um milagre, que poderá não se repetir na próxima tentativa.

No boletim que gerou esta série, eu homenageei o inventor do furo direcional Martin Cherrington, que em 1970 inventou o HDD. Naquela época, ele utilizava a estratégia de tentativa e erro, para as dificuldades que tinha com o fluido, mas trazia a experiencia dos furos verticais, de água, petróleo, sondagens etc. Se quisermos ampliar essa experiencia, chegaremos aos chineses (Iramina, W 2016) que utilizavam a água para auxiliar “levantar” os sólidos quando perfuravam o poço com uma ferramenta pesada, lançada no furo. Dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço, e entrava a haste, saía a água, que transportava os sólidos. Daí chegamos nas perfurações do século 19. Isso mesmo não está errado, 19. Bem, há muitos profissionais que ainda estão na “dos chineses” (5000 anos).

Assim, nosso primeiro boletim técnico de FLUIDO DE PERFURAÇÃO, começa mais com advertências e provocações, pois como verão adiante, não se trata de usar, não usar, ou usando, fazer a coisa “de forma técnica adequada”. E por quê?

Dan Vroom (Vermeer), me deu a “dica” de que talvez o HDD fosse um pouco de ARTE. Dan sem dúvida é. O que não falta na frente de trabalho são “artistas”. E eu falo, dos que usam, dos que fornecem os produtos de perfuração, e não temos como evitar essa abordagem de alto risco, porque, como se sabe, risco é algo pessoal (da pessoa física ou jurídica), no mínimo, me interessa saber, como o contratante aceita correr junto com o “artista” os riscos que ele impõe à execução do furo.

Assim, antes do próximo boletim, onde estaremos divulgando a parte “cientifica” dos fluidos, temos que deixar todas essas preocupações, seja um trabalho, em Telecom, Água, Gás e Energia, com pequeno diâmetro e extensão (MINI HDD) seja nas outras duas divisões com maiores limites, o tipo e a quantidade de fluido a ser utilizado deve fazer parte da composição do projeto e custo da obra. Retirar, da negociação ou da execução os valores físicos e monetários é uma imensa irresponsabilidade.

Provocação: Você e sua equipe entendem a ciência dos Fluidos de Perfuração?

Vamos lá, de Cherrington (1970) até hoje, 50 anos depois, tentativa e erro, já não deveria existir há muito tempo. Quando se utiliza essa abordagem, normalmente geramos péssimos resultados, seja na produtividade, no sucesso da perfuração, na manutenção das nossas perfuratrizes, no comportamento do pessoal (quando a coluna trava, o coração vai a mil).

Assim, começamos este primeiro boletim técnico para advertir os que perfuram, os que fornecem produtos de perfuração (fluidos ou aditivos), que procurem tornar sua percepção de custo, mais aguçada, não é possível que não se perceba a diferença.

Durante a minha aula de pós deste fim de semana (24 a 26 julho) ouvi de um colega, a aventura de um perfurador na Baixada Santista, que tentou fazer o furo só com água, no solo da região da Praia Grande. Depois de muitas tentativas, ele concluiu que “era melhor trabalhar com fluido”. Em seguida ele paralisou tudo, e teve que trocar de perfuratriz em função do conjunto de misturação, tudo isso, teria que ter a “percepção de custo” por parte dele, e de “qualidade” por quem o contratou. Acreditem, isso acontece várias vezes, todas as semanas, nos meus mais de 20 (vinte) anos com HDD.

Dentre as muitas funções do fluido de perfuração, portanto, uma tecnologia e um produto com exigências multifuncionais, a filtração e a suspensão vêm em primeiro lugar. Hoje ainda não vamos detalhar essas propriedades, só queremos destacá-las, repetidamente:

Na VCA (Vala a Céu Aberto) é fácil a retro escava e descarrega no basculante, fácil não? E lá debaixo como você retira o escavado de dentro do túnel?
Muito bem, grave essas funções, e ainda que você não as pratique, quando tiver problemas revise este artigo, e muito provável que a causa esteja numa dessas propriedades. Outras ainda serão discutidas ao longo dos próximos boletins que discorrerão sobre o tema.

FILTRAR e SUSPENDER
ESTABILIZAR A PAREDE DO FURO e TRANSPORTAR O SOLIDO PARA FORA

ENVIE SUA COLABORAÇÃO COM AS EXPERIENCIAS E LIÇÕES APRENDIDAS EM SUAS OBRAS

PRÓXIMO NÚMERO

Vamos abordar o que deve ser controlado em relação ao fluido que misturamos e que é o resultado de um estudo preliminar (e não tentativa e erro) para que ele permaneça o mais próximo da primeira batelada, pois à medida em que iniciamos a perfuração e suspendemos os cortados, o fluido, agora LAMA já não é mais o mesmo conteúdo inicial, e nada garante que ele possa continuar se comportando da forma como foi imaginado pelo engenheiro de fluidos ou especialista de fluidos do seu fornecedor ou sua empresa.

ESTA É UMA PUBLICAÇÃO SOB A RESPONSABILIDADE de Sérgio A. Palazzo
SAP SERVICE Engenheiros Consultores (Nome Fantasia) E-Mail: spalazzo@sapservice.com.br

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *