Grupos com participação de empresas de energia, mineração e construção se articulam para concorrer à concessão da usina no Pará, com investimentos estimados entre R$ 16 bilhões e R$ 30 bilhões.
Três consórcios estão se preparando para disputar a licitação da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, prevista para ocorrer até o início de dezembro. A formação de diferentes grupos de investidores ganha força no mercado e conta com a simpatia do governo federal, que busca estimular a concorrência pela concessão do empreendimento.
Segundo uma fonte próxima ao processo, que pediu para não ser identificada, o novo cenário pode levar o governo a permitir a entrada da Eletrobrás apenas após a definição do consórcio vencedor.
“Se isso se concretizar, o governo deve optar por deixar que a Eletrobrás ingresse no grupo vencedor, depois da licitação”, afirmou a fonte.
CPFL, Neoenergia e Vale articulam consórcio para Belo Monte
Um dos grupos em formação é o chamado “consórcio Previ”, que poderá reunir CPFL Energia, Neoenergia e a mineradora Vale.
O fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, Previ, é acionista das três empresas, e a associação entre elas é considerada uma alternativa para evitar conflitos de interesse.
O presidente da CPFL Energia, Wilson Ferreira Júnior, admitiu recentemente a possibilidade de parceria com a Neoenergia em razão da participação acionária comum da Previ.
A Camargo Corrêa, acionista controladora da CPFL, também deverá integrar o consórcio.
Suez, Odebrecht e Alcoa formam outro grupo interessado na usina
Um segundo consórcio em constituição deverá contar com a participação da franco-belga Suez, controladora da Tractebel Energia no Brasil, da construtora Odebrecht e da fabricante de alumínio Alcoa.
Já o terceiro grupo poderá reunir outras construtoras e fornecedores estrangeiros, segundo a mesma fonte.
A formação de três consórcios indica uma mudança no cenário da licitação. Anteriormente, o mercado caminhava para a constituição de um grupo único, formado por Suez, CPFL, Cemig e Neoenergia.
A ampliação do número de interessados está alinhada à estratégia do governo federal de estimular a concorrência no leilão da hidrelétrica.
Governo avalia entrada da Eletrobrás após o leilão
Diante da perspectiva inicial de baixa concorrência, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, chegou a afirmar que o grupo Eletrobrás poderia participar sozinho da licitação para estimular a disputa.
Com a possível formação de três consórcios, ganha força a alternativa conhecida como “modelo noiva”.
Nesse formato, a Eletrobrás não participaria diretamente do leilão, mas se associaria posteriormente ao consórcio vencedor.
A medida também evitaria uma disputa entre subsidiárias do próprio grupo, situação registrada nas licitações das usinas hidrelétricas do Rio Madeira, em Rondônia.
O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou recentemente que a Eletrobrás deverá ter participação de até 49% no empreendimento.
Segundo a fonte próxima ao processo, essa participação poderá ser compartilhada com a Cemig, outra estatal interessada em Belo Monte.
“Se três consórcios disputarem a licitação, será uma grande notícia. São poucas as empresas no mundo com condições de construir uma hidrelétrica desta magnitude”, declarou.
Hidrelétrica de Belo Monte tem investimentos estimados em até R$ 30 bilhões
Projetada para o Rio Xingu, no Pará, a Usina Hidrelétrica de Belo Monte terá potência de aproximadamente 11 mil MW, conforme as estimativas apresentadas para o empreendimento.
Com essa capacidade, a usina deverá se tornar a maior hidrelétrica inteiramente brasileira quando entrar em operação, ficando atrás de Itaipu, empreendimento binacional com potência de 14 mil MW.
A Empresa de Pesquisa Energética estima investimentos de R$ 16 bilhões na construção de Belo Monte, dos quais R$ 3,5 bilhões seriam destinados à área ambiental.
O valor total, entretanto, é controverso. Empresas da iniciativa privada projetam investimentos que poderão alcançar R$ 30 bilhões.
A diferença entre as estimativas representa um dos desafios para a estruturação financeira dos consórcios interessados na concessão.
BNDES prepara condições de financiamento para viabilizar a construção
Diante da dimensão do empreendimento, o governo federal discute mecanismos para aumentar a atratividade da licitação.
Entre as medidas estão novas condições de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com prazos de financiamento para a construção da usina estimados entre 25 e 30 anos.
Outra possibilidade é permitir a participação de grandes consumidores de energia nos consórcios.
A medida poderá ampliar o número de investidores interessados no empreendimento, incluindo empresas com elevado consumo de eletricidade, como a mineradora Vale.
Licitação de Belo Monte depende de licença ambiental do Ibama
A expectativa do governo federal é realizar o leilão de Belo Monte ainda neste ano.
A definição da data depende da emissão da licença prévia ambiental pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
O secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, afirmou que o documento deverá ser liberado ainda neste mês.
A obtenção da licença é considerada uma etapa necessária para o avanço do processo licitatório da hidrelétrica.
Fonte: Estadão.


