Durante décadas, o antigo complexo hospitalar Matarazzo ocupou uma área privilegiada próxima à Avenida Paulista, em São Paulo. Construído no início do século XX pelo industrial Conde Francesco Matarazzo, o conjunto tornou-se um dos principais marcos da arquitetura hospitalar da capital paulista e permaneceu em funcionamento por quase 90 anos.
Após anos de abandono e preservação parcial pelo patrimônio histórico, o local passou por uma das mais complexas intervenções de retrofit e restauração patrimonial realizadas no Brasil. O resultado foi a criação da Cidade Matarazzo, empreendimento que combina hotelaria, escritórios, residências, áreas comerciais e espaços culturais, preservando parte significativa das edificações originais.
Um dos maiores projetos de retrofit do Brasil
O terreno de aproximadamente 30 mil m² recebeu um projeto que integrou construções históricas e novos edifícios, totalizando cerca de 140 mil m² de área construída.
Assinado pelo arquiteto francês Jean Nouvel, o empreendimento foi concebido para preservar o patrimônio arquitetônico existente enquanto incorporava soluções contemporâneas de engenharia e construção.
A proposta exigiu uma cuidadosa compatibilização entre estruturas centenárias tombadas e novas edificações de grande porte.
Escavações profundas em área densamente urbanizada
Um dos principais desafios técnicos foi a execução das fundações em uma das regiões mais adensadas da cidade de São Paulo.
Para viabilizar estacionamentos subterrâneos distribuídos em vários níveis, foram realizadas escavações que atingiram cerca de 30 metros de profundidade, acompanhadas por complexos sistemas de contenção.
Essas estruturas precisaram ser executadas sem comprometer a estabilidade dos edifícios históricos preservados, exigindo monitoramento permanente durante todas as etapas da obra.
Engenharia estrutural integrou concreto e aço
A nova torre do complexo foi projetada com uma solução estrutural híbrida.
Os pavimentos inferiores foram executados em concreto moldado in loco utilizando concreto autoadensável, enquanto os pavimentos superiores receberam estrutura metálica para reduzir cargas e permitir a criação de grandes vãos arquitetônicos.
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A fachada incorporou caixilhos de vidro, brises metálicos e jardins verticais, criando uma das imagens mais marcantes do empreendimento.
Restauro preservou edifícios históricos
Paralelamente às novas construções, equipes especializadas realizaram a restauração dos edifícios protegidos pelo patrimônio histórico.
Entre os imóveis preservados estavam:
- a antiga maternidade;
- o hospital histórico;
- a capela;
- fachadas e elementos arquitetônicos originais.
O trabalho buscou manter características construtivas, circulação interna e elementos decorativos, ao mesmo tempo em que adaptava os edifícios às exigências atuais de conforto, segurança e operação.
Complexidade exigiu múltiplas frentes de obra
A implantação foi dividida em diversas frentes simultâneas, envolvendo:
- demolições controladas;
- terraplenagem;
- escavações profundas;
- contenções;
- fundações especiais;
- reforços estruturais;
- restauração patrimonial;
- instalações prediais;
- automação;
- climatização;
- sistemas de prevenção e combate a incêndio.
No pico da construção, a previsão era reunir aproximadamente 2 mil trabalhadores no canteiro.
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Um marco da engenharia de retrofit
A Cidade Matarazzo tornou-se um dos principais exemplos brasileiros de como engenharia, arquitetura e preservação histórica podem atuar de forma integrada.
O empreendimento demonstra que é possível reutilizar edificações históricas, preservar sua identidade arquitetônica e, simultaneamente, incorporar tecnologias construtivas modernas, criando novos usos para áreas urbanas consolidadas.
Mais do que um projeto imobiliário, a Cidade Matarazzo representa um importante capítulo da evolução da engenharia brasileira na recuperação e valorização do patrimônio construído.




