Projeto de US$ 1,3 bilhão mobilizou grandes estruturas de engenharia, quatro usinas de concreto e treinamento de operadores por simulação para ampliar a produção de celulose no sul da Bahia.
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A ampliação da fábrica de celulose da Suzano em Mucuri (BA) representou um projeto de US$ 1,3 bilhão concebido para levar a unidade à capacidade de 1 milhão de toneladas por ano de celulose de fibra curta branqueada, destinada principalmente à exportação.
Mais do que o aumento da capacidade industrial, o empreendimento se destacou pela escala dos desafios de engenharia envolvidos na implantação.
O projeto foi dividido em grandes ilhas de processo, exigiu equipamentos especiais para execução das fundações e chegou a mobilizar quatro usinas de concreto simultaneamente para atender ao ritmo das obras.
A preparação das pessoas que posteriormente operariam a nova estrutura também começou ainda durante a construção, com utilização de um sistema de simulação dos processos de operação e controle.
Projeto industrial foi dividido em grandes ilhas de trabalho
A dimensão da expansão levou a engenharia a estruturar o empreendimento em diferentes frentes.
Entre as principais áreas estavam:
- Pátio de Madeira;
- Cozimento;
- Linhas de Fibras;
- Secagem;
- Caldeira de Recuperação;
- Evaporação;
- Turbogeradores;
- EPCs secundários.
Além dessas áreas, o BOP (Balance of Plant) era responsável pela interligação entre as diferentes ilhas do empreendimento.
Essa divisão evidencia a complexidade de uma fábrica de celulose, na qual diferentes processos industriais precisam funcionar de maneira integrada para transformar a madeira em celulose pronta para comercialização.
Fundações foram um dos desafios da engenharia
Segundo Sergio Uliana, então diretor do projeto, uma das principais dificuldades encontradas durante a implantação estava relacionada às dimensões do empreendimento.
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A execução das fundações exigiu disponibilidade de equipamentos de grande porte, incluindo máquinas para fundações com hélice contínua.
Outro desafio foi o volume de concreto demandado pelas diferentes frentes da obra.
Para manter o abastecimento das áreas em construção, quatro usinas de concreto chegaram a operar simultaneamente.
A logística necessária para produzir, transportar e aplicar esse volume de material tornou-se, portanto, parte relevante do planejamento da construção.
Integração entre as áreas era responsabilidade do Balance of Plant
A construção das diferentes unidades industriais representava apenas uma parte do desafio.
Era necessário garantir que equipamentos, sistemas auxiliares, tubulações, instalações elétricas e demais estruturas funcionassem de maneira integrada.
Essa função estava concentrada no chamado Balance of Plant (BOP).
Em grandes empreendimentos industriais, o conceito engloba os sistemas e estruturas necessários para conectar as principais unidades de processo e permitir que a planta opere como um conjunto integrado.
No projeto de Mucuri, essa integração era particularmente relevante diante da quantidade de ilhas de trabalho implantadas simultaneamente.
Operadores começaram a ser treinados durante a construção
Outro aspecto do projeto foi a preparação antecipada das equipes responsáveis pela futura operação da fábrica.
O treinamento dos operadores começou ainda durante a fase de obras.
Para isso, foi utilizado um sistema de simulação do processo de operação e controle, permitindo que profissionais fossem preparados para trabalhar na nova unidade antes mesmo da conclusão de sua implantação.
A estratégia aproximava engenharia, construção e operação, reduzindo a distância entre a entrega física dos sistemas e a preparação das pessoas responsáveis por operá-los.
Projeto previa capacidade ainda maior no futuro
A expansão foi projetada inicialmente para alcançar 1 milhão de toneladas anuais de celulose de fibra curta branqueada.
Na época, a direção do empreendimento também indicava que a concepção já considerava uma possível ampliação posterior da capacidade.
O material publicado naquele período menciona capacidade futura de “1.250 milhões de toneladas”. Pelo contexto, a referência aparenta corresponder a 1,25 milhão de toneladas anuais, mas o registro original não permite confirmar com segurança essa interpretação.
O dado, portanto, deve ser entendido como uma previsão apresentada durante a implantação do projeto, e não como confirmação da capacidade efetivamente alcançada posteriormente.
Mucuri retrata a escala da engenharia da indústria de celulose
O projeto de ampliação da Suzano em Mucuri ajuda a dimensionar os desafios encontrados na implantação de grandes complexos industriais brasileiros.
Fundações executadas com equipamentos especiais, grandes volumes de concreto, múltiplas ilhas de processo, sistemas de interligação e preparação antecipada das equipes mostram que o aumento da capacidade produtiva dependia de uma extensa cadeia de engenharia e construção.
Com US$ 1,3 bilhão em investimentos e capacidade projetada de 1 milhão de toneladas anuais, a expansão tornou-se um exemplo da escala alcançada pelos projetos brasileiros ligados à indústria de papel e celulose.
Mais do que registrar o crescimento de uma fábrica, o empreendimento revela a engenharia necessária para transformar grandes investimentos industriais em capacidade produtiva.





