Em Vinhedo (SP), a EBM Engenharia realiza projeto na modalidade turnkey de um data center de inteligência artificial (IA) para a Ascenty, com capacidade de 20 MW. A primeira fase do empreendimento, com 10 MW, está sendo entregue em setembro, e a outra etapa, com mais 10 MW, será finalizada em dezembro.
Eduardo Menossi, cofundador e CEO da EBM Engenharia, explica que a empresa é responsável desde o detalhamento do projeto até a construção, além de fornecimento de equipamentos e comissionamento.
Ele afirma que nesse mercado, pouco importa o metro quadrado do empreendimento – o de Vinhedo tem inicialmente cerca de 5 mil m² de área construída. “Cada vez mais os data centers estarão menores de tamanho e maiores em capacidade, que é o que realmente importa num empreendimento desse tipo”, ressalta.
Quando a EBM entrou no site para realizar o projeto, em fevereiro desse ano, já existia uma estrutura feita de pré-moldado com apenas um andar. “A gente fez o segundo shell (o primeiro shell é a estrutura pré-moldada de concreto), totalmente metálico”, destaca Eduardo.
Shell se refere à estrutura básica incluindo pilares, vigas, paredes e cobertura. A montagem eletromecânica é feita simultaneamente à colocação da segunda camada de shell.
“Shell metálico é uma solução tradicional e visa facilitar a montagem interna, para dar velocidade e qualidade à obra”, ressalta o executivo. A estrutura metálica faz o fechamento das diferentes áreas do data center.
O CEO da EBM conta que o data center em construção não tem piso elevado e o insuflamento (sistema que distribui o ar condicionado) será feito pelas laterais do empreendimento. O rack (estrutura metálica usada para fixar os servidores do data center) é apoiado direto no piso. De acordo com Eduardo, o piso tem 6 t/m³ de capacidade.
PÉ-DIREITO ELEVADO
Ele conta que o empreendimento tem pé-direito elevado, com 12 m de altura. O motivo desta altura é para posicionar os racks e passar as redes de fibra e de alimentação elétrica, e para oferecer espaço interno para garantir a circulação adequada de ar frio.
O projeto interno de um data center, segundo Eduardo, varia, mas neste de Vinhedo constam salas elétricas, central de ar condicionado (refrigeração), distribuição elétrica para cada rack através do busway (condutores elétricos), além do próprio rack com os servidores (data hall). “Tem projeto que a sala elétrica está fora do prédio”, cita.
A eletricidade do empreendimento chega pela distribuidora ou é alimentada a diesel – uma área externa do site da Ascenty produz energia gerada a diesel.
TROCA DE CALOR
A refrigeração faz a troca de calor nas salas de equipamentos. “O ar-condicionado é item relevante porque ele impacta diretamente na eficiência do data center. Não que a parte elétrica não fosse importante, mas é que a parte de ar-condicionado deve ser desenvolvida especificamente para atender cada projeto”, afirma.
O executivo lembra que é preciso levar em consideração o local que está se construindo o data center, incluindo a altitude e temperatura média externa. “Isso muda a eficiência da troca de calor. Por isso que o item ar-condicionado requer um conceito personalizado”, diz.
A refrigeração no empreendimento da Ascenty é feita por um circuito de água gelada fechada. De acordo com Eduardo, isso evita consumo externo de água.
Eduardo Menossi ressalta o prazo recorde de entrega da obra. “Trabalhamos desde o início em três turnos para conseguir entregar no prazo. Este foi o maior desafio”, pontua.
O processo de comissionamento deste tipo de empreendimento, segundo o executivo, se divide entre a verificação dos sistemas de ar condicionado e dos elétricos, e do chamado comissionamento a quente, no qual se simula por 24 horas a operação com potência máxima da carga dos equipamentos.
“Para o nosso grupo, este projeto foi muito relevante porque nós conseguimos implementar todas as soluções do grupo EBM. Iniciamos com a parte de design e engenharia, utilizamos a solução de produtos do grupo que se chama IDS (equipamentos de energia) e da Trusted Data (infraestrutura para data center)”, explica Eduardo.
A EBM tem 16 anos e está em nove países. A empresa já construiu pelo menos 35 data centers. Sua atuação até bem pouco tempo era voltada somente para data centers de nuvem (cloud) para operar serviços de internet.
“Quando a gente atuava na parte de cloud, eram data centers com até 6 MW. Este é de 20 MW, o que é bastante relevante”, comenta.
“E os desafios só vão aumentar. A gente já está olhando projeto com entrega de 40 MW. O mercado promete capacidades cada vez maiores”, complementa.
ASCENTY INVESTIRÁ R$ 6 BI EM 4 DATA CENTERS NO PAÍS
Com novos contratos, a Ascenty, joint venture formada pela Digital Realty e Brookfield Infrastructure, anunciou no primeiro semestre investimentos de R$ 6 bilhões para o desenvolvimento de quatro novos data centers no Brasil voltados para inteligência artificial (IA).
A empresa já possui 21 data centers em operação no país e a projeção é de possuir um total de 40 centros nos próximos anos.
Segundo a Ascenty, os contratos fechados exigem entregas de data centers até o fim de 2027. Os investimentos serão assegurados por meio de instituições privadas.
O aporte anunciado representa acréscimo até o ano que vem de 150 MW de capacidade computacional, um incremento de 40% sobre toda a capacidade construída pela companhia.
Os data centers serão construídos em Sumaré e Vinhedo, na região metropolitana de Campinas (SP). O principal deles ficará em Sumaré – cidade onde a empresa já tem operação – e a Ascenty informa que ele será o primeiro concebido desde o início para aplicações de inteligência artificial.
Este empreendimento, que será o primeiro a ser finalizado dos quatro anunciados, terá 90 MW de capacidade inicial, com previsão de expansão adicional de mais 90 MW. O projeto contará com 48 mil m² de área construída, com entrega prevista para o terceiro trimestre de 2027.
Dos 90 MW iniciais desse site, 60 MW já estão contratados por um cliente global de tecnologia, para processamento de IA.
Os contratos assinados com a Ascenty incluem acordos com big techs norte-americanas e chinesas, mas os nomes não foram revelados.
Há projetos de expansão de unidades além da construção de novos centros. As ampliações incluem centro de dados em Vinhedo e Osasco e somam quase R$ 2,5 bilhões.
A empresa afirma que toda a energia utilizada em seus data centers é proveniente de fontes renováveis. A Ascenty fez um contrato no início do ano de autoprodução com a geradora de energia Casa dos Ventos.




