Menos marketing e mais obras

Reconheça-se: há recursos disponibilizados no PAC. Mas entre as promessas do governo e o que vem sendo efetivamente realizado a distância é territorial. Dos R$ 16,5 bilhões previustos, apenas R$ 5,4 bilhões foram efetivamente desembolsados.

Torna-se difícil, a partir dos dados colocados a público pelos vários ministérios e amplamente divulgados pela Casa Civil da Presidência da República, chegar-se a uma idéia estatiscamente precisa do volume das obras que vêm sendo realizadas e que devem ser creditadas apenas aos empenhos do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC. Apesar do marketing extremado e da banalização de um programa originalmente acionado para retirar segmentos da infra-estrutura da UTI, a esperança é de que ele prospere menos como instrumento de marketing político, e mais como instrumento capaz de resolver problemas que se vêm agravando nos transportes, energia e saneamento e em outras áreas.

Acossado pelas urgências do País, onde tudo ainda está para se fazer ou implementar, o governo criou PAC para tudo e deixou que a sigla passasse a ser adotada como remédio para todos os males. Ocorre que os recursos colocados à disposição dos ministérios para os diversos programas de obras, ainda são limitados, embora a festa que hoje se observa no caso dos cartões corporativos possa fornecer a idéia de que o governo nade em dinheiro.

No fundo, técnicos e estudiosos da infra-estrutura brasileira consideram que o Programa de Aceleração do Crescimento foi bem estruturado. Contudo, para levar a termo centenas de obras inacabadas e abandonadas ao sol e à chuva pelo País afora, e que constavam do “Brasil em Ação” e do “Avança Brasil”, do governo anterior, e de programas interrompidos ao longo de décadas, ele deve ser uma garantia de que a liberação dos recursos terão continuidade sob gestão competente.

É que uma coisa foi laborar o PAC. Outra é fazê-lo deslanchar, monitorado e administrado com eficiência. Até aqui, segundo alguns dos críticos do programa, não lhe tem faltado marketing; mas lhe tem faltado gestão com aquelas características.

Fonte: Estadão

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