Engenharia estrutural: o papel do projeto e do engenheiro calculista na evolução da construção brasileira

Engenharia estrutural: o papel do projeto e do engenheiro calculista na evolução da construção brasileira

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Ao longo da evolução da engenharia brasileira, o avanço das técnicas construtivas e a incorporação de novas tecnologias aumentaram também a importância dos profissionais responsáveis por projetar as estruturas que sustentam edifícios e grandes obras de infraestrutura.

Em entrevista a Nildo Carlos Oliveira, a engenheira Suely B. Bueno, então recém-eleita para a presidência da Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural (Abece), abordou alguns dos desafios enfrentados pelos engenheiros calculistas e escritórios de projetos estruturais.

O registro ajuda a compreender uma dimensão fundamental da história da engenharia no País: por trás de pontes, edifícios, sistemas de metrô e outras estruturas estão profissionais cujo trabalho influencia diretamente a segurança, a eficiência e a qualidade das construções.

Formação e fortalecimento das equipes de engenharia

Ao analisar o mercado de trabalho para o engenheiro calculista, Suely Bueno destacava um período de retomada da construção civil e de ampliação das equipes das empresas.

Há melhorias, no mercado de trabalho, para o engenheiro calculista?

“Sim. Houve a reativação do mercado da construção civil e o aumento da busca de profissionais para a ampliação dos quadros das empresas. E as empresas, para fazer frente à demanda, contrataram profissionais e investiram no treinamento de novos engenheiros e projetistas.”

Segundo ela, a própria Abece participava desse movimento em parceria com a Faculdade de Engenharia São Paulo (Fesp) e a TQS Informática.

“Eu diria que hoje as empresas estão com equipes mais preparadas, tanto em número como em nível técnico.”

O tempo necessário para desenvolver um bom projeto

A evolução das ferramentas disponíveis aos projetistas, entretanto, não eliminava um problema recorrente da engenharia: o pouco tempo destinado ao desenvolvimento dos projetos.

Mas, nesse processo de ajustamento do mercado, quais as principais dificuldades que o segmento vem enfrentando?

“Cada vez mais a decisão para começar a elaboração de um projeto chega tardiamente. Nós podemos melhorar muito o produto se tivermos prazo adequado para testar várias soluções em conjunto com nossos parceiros de outras especialidades.”

A engenheira chamava atenção para as consequências de iniciar uma obra antes que todas as possibilidades de projeto fossem devidamente analisadas.

“Infelizmente, a data de início do projeto é inadequada e somos atropelados por decisões já tomadas no início da obra. A partir daí, uma série de possibilidades é descartada.”

Valorização dos projetos estruturais

Outro desafio apontado por Suely Bueno era a remuneração dos projetos diante dos investimentos necessários em profissionais e tecnologia.

“Os escritórios não conseguem repassar ao preço dos projetos todo o investimento que é feito nos profissionais e nas novas tecnologias que precisam ser incorporadas.”

Na avaliação da engenheira, essa dificuldade afetava a capacidade das empresas de investir continuamente na melhoria de seus processos.

“Então, fica difícil melhorar, ser mais eficiente, mais rápido nas respostas e nas decisões, o que agregaria um valor enorme ao empreendimento.”

Engenharia estrutural também significa segurança

À frente da Abece, Suely Bueno defendia ainda uma maior valorização do projeto estrutural não apenas pelo mercado da construção, mas pela própria sociedade.

A estratégia passava pelo fortalecimento e profissionalização dos escritórios de engenharia e pela conscientização do público sobre a importância dessas atividades.

“As pessoas que estão passando por uma ponte, utilizando o metrô ou recebendo água e energia em suas casas, precisam saber que a segurança delas depende da qualidade do trabalho. É preciso que nós consigamos mostrar isto a todos.”

A declaração sintetiza um aspecto que atravessa a história da engenharia brasileira: muitas das atividades mais importantes para a segurança e o funcionamento das construções permanecem praticamente invisíveis para quem utiliza diariamente a infraestrutura.

O projeto estrutural e o trabalho do engenheiro calculista fazem parte dessa história. Dos edifícios às pontes e sistemas de transporte, são conhecimentos técnicos que permitiram acompanhar a evolução das construções brasileiras e responder à crescente complexidade das obras realizadas no País.


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